Os primeiros passos para uma vida nômade

os primeiros passos para uma vida como nômades digitais

O primeiro passo para nos tornar nômades digitais foi entender o que isso significa. A impressão inicial não poderia ser melhor: trabalhar remotamente e viver onde quiser! Mas isso seria mesmo possível?

Píer em Cozumel

Financeiramente, é viável? A resposta nos surpreendeu (veja esse post sobre quanto custa viver viajando pelo mundo).

E o que de fato é preciso fazer para se preparar para viver viajando? Como levar a vida mudando de cidade e de país o tempo todo? Nós já passamos um ano inteiro em uma volta ao mundo, mas agora a expectativa é passar mais tempo em cada lugar e, quem sabe, por alguns anos nessa vida.

Com o que é possível trabalhar? Que outras pessoas fazem isso e qual foi a solução que elas encontraram? Essas e outras perguntas começaram a preencher nossas noites depois do trabalho.

E a pergunta principal: como conciliar a vida nômade com uma filha bebê que ainda nem havia nascido?

Nessa hora, as referências ficaram bem mais escassas. São raras as pessoas que saem pelo mundo com um filhote a tiracolo. Mas em nenhum momento tivemos dúvidas de que era uma ideia viável. Era só questão de pesquisar e adaptar o projeto ao nosso contexto.

Fred e Letícia grávida na Urca
Quando decidimos nos tornar nômades, a Letícia estava grávida

Além disso, demandou uma certa dose de coragem também. Porque só a ideia de sermos pais já dava um frio na barriga. Encararmos essa enquanto a gente se aventura mundo afora foi um movimento um pouco mais ousado rs.

Veio a Beatriz e, no primeiro momento, nosso mundo se voltou para ela. Cuidar de uma recém-nascida demanda tempo e energia de forma integral. Então, foi só depois de alguns meses que retomamos o foco na nossa mudança de vida.

A preparação para a partida

Definir a data de partida foi um de nossos primeiros passos para uma vida como nômades digitais. A data puxa o resto, ajuda o sonho a virar plano. Mas a ansiedade foi muita e, no final, antecipamos a partida em quase dois meses (veja aqui).

Logo de cara, listamos as pendências e colocamos no tempo. Repassamos e revisamos essa lista de afazeres uma centena de vezes. Detalhamos o planejamento financeiro e construímos meia dúzia de planilhas. Fizemos conta em cima das economias e fontes de renda que já temos e tratamos futuras novas fontes de grana de forma conservadora.

Avaliamos ainda questões relacionadas à saúde, hospedagens, vistos etc.

Beatriz comendo ameixa

Também pesquisamos sobre como cuidar da rotina da alimentação da Beatriz. Até então, a maior parte das refeições dela aconteciam na creche. Todos esses cuidados ficarão por nossa conta e precisarão ser adaptados a cada país. Além disso, fomos atrás das vacinas adicionais, de entender como lidar com situações adversas etc.

Refletimos muito sobre quais oportunidades de trabalhar remotamente mais teriam a ver conosco e começamos a nos capacitar para o que nos pareceu necessário.

Nos preparamos da melhor forma que foi possível. Fizemos o que deu tempo, enquanto ainda trabalhávamos nos antigos empregos e cuidávamos de nossa filha. Estamos longes de estar totalmente prontos, mas entendemos que o resto a gente vai construindo na estrada.

A vida que ficou para trás

Nossa experiência passando um ano viajando já havia nos ensinado uma coisa: da mais trabalho parar a vida que está em andamento do que começar a”vida nova”. Deixar empregos, desfazer de apartamento, encerrar contas etc., tudo isso envolve burocracias e procedimentos que consomem um bom tempo.

Além disso, tem as coisas. Da primeira vez que “largamos tudo” para viajar, guardamos móveis e muitos objetos pessoais em um guarda-volumes. A gente sabia que dentro de um ano estaria de volta ao Brasil.

Dessa vez, sem data para voltar, a estratégia teve que ser diferente. Não fazia sentido guardar coisas que a gente nem sabe se um dia voltaria a usar. E desfazer de quase tudo o que a gente tinha deu um bom trabalho.

Coisas em Ronda, Andaluzia, Espanha
Coisas, coisas e mais coisas

Foram semanas intensas. Vendemos o que achamos que deveria ser vendido. Doamos a maior parte. E rasgamos e jogamos fora bastante papel e documentos antigos. Fomos nos desafazendo de uma tralha sem fim.

No final, deveriam sobrar umas poucas caixas com objetos pessoais para ficar na casa da família e amigos, mais aquilo que a gente pudesse carregar durante a vida nômade.

O processo de desapego

Guardamos ou estamos levando muito pouco perto daquilo que a gente havia acumulado ao longo da vida.

O começo do processo de se desafazer da quantidade de coisas que a gente tinha foi muito bom. Descobrimos embaixo da cama e no alto dos armários itens tão esquecidos e inúteis que a gente até se perguntava o que aquilo ainda estava fazendo em casa.

Depois, demandou paciência. Veio um trabalho chato, minucioso, de revisar papelada, passar por detalhes, inspecionar cada gaveta e se livrar de um monte de tralha que a gente nunca tinha tempo ou saco para selecionar.

Por fim, chegou a parte mais difícil. Ficou óbvio que o conjunto “apenas das coisas que realmente valem à pena guardar” era bem maior do que o espaço que existia disponível para ele. Poderiam ser novos, úteis e bonitos ou, quem sabe, carregar algum tipo de apego sentimental. Mas simplesmente não havia espaço.

Nos desfizemos de livros, roupas boas, do que não fazia sentido levar. De louças de cozinha bonitas, de eletrônicos que estavam em uso e uma porção de outros itens que nos pareciam tão legais e necessários há até bem pouco tempo.

Desapego era a palavra. Nada daquilo nos fará a menor falta a partir de agora. Mal passaram dois meses e nem lembramos mais o que eram.

Fred e Bia no Rio Caraíva - Preocupação nos primeiros passos para uma vida nômade
Preocupado com as gravatas bacanas que estavam quase sem uso

Ajustes finais

No cardápio das últimas semanas antes de partir: empacotar, vender ou doar. Além disso, encerrar os processos de saída do trabalho, de entregar o apartamento e uma porção de outras pequenas pendências.

Então, depois de guardar (quaaaase) tudo o que queríamos, veio um alívio tremendo de encerrar essa etapa e se ver apenas com as bagagens que levaremos pelos próximos meses.
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E para levar (quaaaase) tudo que gostaríamos, resolvemos acrescentar uma mala ao nosso plano inicial. Hoje é um mochilão, uma mala grande, uma mala de bordo e um berço portátil. Pelo menos, por enquanto. Nós conhecemos bem a vida de mochileiro, mas os desafios de levar a bagagem de uma mochileirinha ainda está sendo ajustado.

A vida que vamos levar

Com nem tudo resolvido, ficamos sem casa no dia 17 de junho de 2019.

Passamos um tempo em Diamantina, Belo Horizonte e agora estamos em Caraíva nos adaptando à vida nova. À rotina de cuidar integralmente da Beatriz. De trabalhar nos momentos possíveis.

E aproveitando imensamente e com leveza a vida que escolhemos para nós. Curtindo essa sensação gostosa de estarmos dando nossos primeiros passos como nômades digitais.

Primeiros passos para uma vida nômade

tresmochilaspelomundo


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2 comentários em “Os primeiros passos para uma vida nômade

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