Caindo na estrada

A gente ainda nem tinha colocado o pé na estrada e nossa vida já havia se transformado radicalmente. Até o final de maio, tínhamos empregos, a Bia estava na creche e nossa rotina era bem “tradicional”. A vida nômade era apenas um grande plano. Em junho, tudo mudou.

Faltando duas semanas para entregar o apartamento, eu ainda tinha que fechar alguns projetos no antigo trabalho e mais uma infinidade de outras pendências para resolver. Foram dias intensos. A tarefa de descartar, vender, doar ou empacotar nossas coisas consumiu muita energia.

Para não falar que, sem a creche, voltamos a cuidar da Bia em tempo integral. Sem babás ou família por perto. Quem é pai e mãe sabe que a rotina de cuidados e brincadeiras com um bebê consome boa parte das 24 horas do dia.

Letícia se desdobrou do lado dela, eu do meu e fomos tocando com a ansiedade já alta. Loucos para encerrar essa etapa e cair na estrada.

Reta final

Faltando uma semana para entregar o apartamento, Letícia foi com a Bia para a casa dos pais dela em Cabo Frio, enquanto eu fiquei para trás para dar um destino para tudo o que ainda estava dentro de casa (muita coisa!).

Praia do Forte, Cabo Frio
A Bia caindo na estrada! Praia do Forte, Cabo Frio

Muito bom para avós e neta poderem conviver por alguns dias. E nada mal curtir o mar transparente e a areia branquíssima da Praia do Forte. As garotas voltaram pro Rio para terminarmos de organizar tudo e cair na estrada!

No dia 17 de junho de 2019, ficamos oficialmente sem “casa fixa”. E saímos para ganhar o mundo! Planos para esse ano: Brasil.

Decidindo o roteiro

A gente tinha a dura tarefa de decidir onde passaríamos os primeiros meses de nossa viagem sem fim. E o roteiro para 2019 dependia fundamentalmente de uma variável: a Beatriz ainda está em meio ao seu calendário de vacinação.

No Brasil, existem agulhadas frequentes previstas até depois dos 15 meses de vida (depois disso, há um intervalo bem maior para a próxima). Essas vacinas terminarão no começo de novembro.

Se por um lado, não é possível completar esse calendário em outro país, felizmente isso pode ser feito em milhares de postos de saúde Brasil afora. Então, nossos primeiros dias como nômades serão rodando em território brasileiro!

Na estrada: Praia do Satu, Caraíva, BA
Na Bahia, tem posto de saúde também!

Pensamos também que, se a gente já estaria por aqui até tão perto do final do ano, poderíamos aproveitar a oportunidade de passar o natal e ano novo com nossa família. Além de estar muito frio no hemisfério norte (para onde pretendemos seguir no ano que vem), gostamos da ideia de nossa filha poder curtir e ser curtida por avós, tios e primos!

Independente disso, não precisamos dizer o óbvio: o Brasil é lindo demais! Deu vontade de curtir por aqui antes de ir embora!

Enfim, caindo na estrada

A viagem começou por Paraty. Era um feriado e a gente havia alugado uma casa com uns amigos antes mesmo de saber que estaríamos em nossos primeiros dias de uma viagem sem fim. Foi uma bela boas-vindas!

Como já não tínhamos ponto para bater, esticamos o feriado em uma pousadinha na serra e passamos um dia com um casal de amigos que largou tudo para viver em Paraty. Ainda queremos contar a história deles aqui no blog.

Na estrada: Paraty
Caindo na estrada: os primeiros dias foram em Paraty

Passamos rapidamente pelo Rio. Foram apenas dois dias para fazer uma escala, pegar a tralha que levaríamos para guardar em Minas e resolver algumas coisas. Mas, chegando lá, tinha festinha surpresa para Bia!

Dani e Paula, nossas grandes amigas (inconformadas por estarem longe na data real do aniversário) organizaram tudo. Sensacional!

Beatriz faz um - Rio de Janeiro
Teve até festinha surpresa de aniversário antecipado pra Bia!

Diamantina

Em uma manhã no final de junho, coloquei em uma Doblò alugada tudo aquilo que levaríamos conosco nos próximos meses e o que ainda faltava encontrar um lugar para guardar. O carro estava tão cheio que a Letícia e a Bia tiveram que ir de avião até Belo Horizonte.

Em BH, deixamos umas caixas e uma mala na casa do meu irmão. O suficiente para as duas caberem também dentro do carro. Seguimos para Diamantina. Lá, Amanda – uma amiga pra lá de especial – nos emprestou um espaço para deixar o restante das coisas.

Mais do que isso, nos recebeu em sua casa maravilhosamente bem (como sempre) por 10 dias!

Diamantina é linda e as serras e outras cidadezinhas na região também são muito especiais. Devo ter ido lá visitar a Amanda mais de 10 vezes e sempre que posso vou nas cachoeiras, em Biribiri e Milho Verde. Dessa vez, deu tempo de parar em São Gonçalo do Rio das Pedras, ir ao Serro, a Curralinho e conhecer a cidade mais a fundo.

Belo Horizonte

Foi por pura coincidência que os dois primeiros destinos dessa jornada foram justamente o fim e o começo da Estrada Real. Mineiro que sou, tenho uma relação especial com muitos dos destinos dessa simbólica “estrada”. Lugares dos quais eu tenho ótimas memórias e onde peguei gosto por esse negócio de viajar.

E Belo Horizonte é minha cidade natal. Ter crescido em BH diz muito sobre quem eu sou hoje. Vai ser sempre a “minha casa”. Por outro lado, saí em 2005 e morei muito tempo em São Paulo, muito tempo no Rio e passeis meses a trabalho em cidades como Brasília, Porto Alegre e Florianópolis. Então, hoje, também me sinto meio “turista” quando volto.

Passamos três semanas na capital. Um Airbnb espaçoso no centro da cidade. Nesses dias, a gente estava fechando as últimas pendências para essa mudança de vida. Foi um período ainda de transição. Mas em que conseguimos também aproveitar a companhia da família, rever amigos e bater ponto no Inhotim.

Deu até para comemorar o primeiro ano da Bia!

Na estrada: Arraiá da Bia em Belo Horizonte
Na estrada: Arraiá da Bia em Belo Horizonte
Minha família também estava lá!

Roteiro para 2019: próximos passos

Agora, vamos passar alguns meses no Nordeste. As praias paradisíacas e as pessoas mais simpáticas que esse País sabe produzir pareceram uma ótima receita para dar sequência nessa jornada com nossa filha.

E tudo o que queremos nesse momento é seguir nessa estrada com muita praia. Construir caminhos ensolarados nesse segundo semestre.

Ao pensar na temporada no Nordeste, primeiro teve Caraíva. A gente quis começar por aqui porque deu vontade mesmo. Decidimos ficar por três semanas. E, aliás, tem sido maravilhoso!

Na estrada: Caraíva
A gente quis começar a estrada pelo Nordeste no clima relaxado de Caraíva

Para programar os meses seguintes, ficamos de olho no clima. Buscamos a melhor rota para ter o máximo de sol em cada momento. Queremos ir em Noronha e fazer isso no comecinho de outubro porque é a melhor época para mergulhar. Ajustamos o trajeto em torno disso e traçamos uma visão geral do que fazer.

Fizemos um post no passado no Mochilando Pelo Mundo sobre a construção do roteiro para uma viagem de volta ao mundo (clique aqui). O racional que usamos agora é parecido.

E assim caímos na estrada para nossa viagem sem fim. Estamos com o roteiro para 2019 mais ou menos definido. Vamos ajustando e refinando no caminho.

Essa liberdade é uma parte enorme da alegria de viver nesse modelo.

Nossa casa em Caraíva
Nossa casa em Caraíva

Vamos revisitar muitos lugares que já estivemos. E não vemos nenhum problema nisso. Teremos a chance de conhecer de uma forma diferente. Com mais tempo do que nunca para nos demorar.

Nossa vontade, hoje, não é sair ticando vários destinos. Queremos mergulhar na rotina de uma vida nômade. Conciliar o lazer, o trabalho e a paternidade de uma forma mais harmônica.

E, claro, também conhecer lugares, pessoas e viver experiências.

Com a Bia em Caraíva

tresmochilaspelomundo

10 comentários em “Caindo na estrada

  1. Que fantástico fred e família, legal ver a história de vcs! Deus possa proteger e os abençoar nessa nova vida, e vai dando dicas pra gente quem sabe um dia poderei fazer o mesmo🙏🏽.

  2. Foram em Ponta do Corumbau? Praia linda pertinho de Caraíva. Boa sorte ao primo e família, é muita coragem e disposição, estejam protegidos.
    Att., Bruno Domingues.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: