As cachoeiras de Carrancas

Cachoeiras de Carrancas: do Salomão no Complexo da Ponte

Minas Gerais é a terra das cachoeiras e Carrancas é uma de suas estrelas. Mas, parece que diante de tanta concorrência esse destino delicioso ainda passa um pouco despercebido.

A simpática cidadezinha localizada a cerca de 90 km de Tiradentes e quase 300 km de Belo Horizonte guarda tesouros lindíssimos e perfeitos para recarregar as energias. Se você gosta de natureza, certamente deve incluir esse pequeno paraíso na sua lista de desejos.

Talvez seja a distância das grandes cidades o que a mantem fora do radar da maioria dos turistas – o que não deixa de ser uma oportunidade para curtir seus dias de forma mais sossegada. Como ficamos por uma semana, tivemos a chance de mergulhar em algumas de suas mais de 70 cachoeiras praticamente sem ninguém por perto.

Para quem não tem tanto tempo, dois ou três dias são suficientes para explorar as principais atrações, se esbaldar com uma boa comida mineira e aproveitar o belo visual das serras do entorno.

Carrancas tem mais de 70 cachoeiras catalogadas

São tantas cachoeiras que elas foram organizadas nos chamados “complexos”. Cada complexo tem um conjunto de quedas e poços para nadar. Quase todas estão em áreas particulares e podem cobrar entrada ou restringir o acesso.

Nada fica muito longe da cidade e as estradinhas de terra são fáceis de rodar e bem bonitas.

Cachoeira do Luciano, Complexo da Fumaça, Carrancas MG

A seguir a nossa recomendação do que fazer em Carrancas. Agrupamos os complexos que estão bem próximos entre si e podem ser feitos juntos.

Complexo da Zilda + Serra do Moleque

O Complexo da Zilda (R$5), com cachoeiras, poços e escorregadores naturais, é uma parada obrigatória e a uma das principais atrações de Carrancas. Fica a 12 km da cidade, mas a estrada de terra tem paisagens lindas e certamente você não se importará com a distância.

O Escorregador da Zilda é o lugar para voltar a ser criança. Uma superfície natural perfeitamente lisa formando um toboágua que termina em um poço transparente. Diversão garantida!

Escorregador da Zilda, Carrancas MG
Escorregador da Zilda: nada como voltar a ser criança!

Ali perto, uma curta caminhada leva até a Cachoeira dos Índios e a um conjunto de pinturas rupestres. Aliás, existem outros lugares com pinturas rupestres na região, o que é um bônus para quem vai a Carrancas. A partir daí, para ir até a Cachoeira das Onças é bom estar com alguém que conheça o caminho.

O mesmo vale para quem quer conhecer a Racha da Zilda. Para ir lá é necessário nadar contra a correnteza dentro de um cânion. Portanto, indicado para quem tem espírito aventureiro. Ainda assim, é necessário ir com guia e equipamento de segurança. Na cidade é possível fechar com uma agência para te levar.

Pinturas rupestres de Carrancas
Pinturas rupestres em Carrancas

Parque Serra do Moleque

Em 2018, as cachoeiras da Zilda e do Guatambú se “separaram” do Complexo da Zilda e viraram o Parque Serra do Moleque. A entrada pulou para R$25, mas junto veio a construção de uma boa estrutura. Estacionamento, restaurantes, banheiros e limpeza dos rios. Além do investimento em acessibilidade, incluindo uma carretinha puxada por um trator para levar os visitantes.

Sem dúvidas, é um exemplo de profissionalização do turismo na região. Quem já é escolado no ecoturismo pode até torcer o nariz para esse tipo de iniciativa. Afinal, gosta dos lugares mais vazios e de encontrar a natureza mais próxima do seu “estado original”. Mas temos que admitir que isso permite que mais pessoas conheçam esses paraísos naturais e que, se feito com responsabilidade, pode contribuir para a preservação a longo prazo.

Cachoeiras de Carrancas
Cachoeira do Salomão no Complexo da Ponte

Complexo da Ponte + Complexo da Toca

A entrada para o Complexo da Ponte (R$5) está a apenas 3 km da cidade. Uma caminhada leve por trilhas bem sinalizadas passa por alguns poços de água super cristalina e pelas cachoeiras do Salomão e do Moinho. A cachoeira do Salomão, em especial, é uma das mais bonitas de Carrancas.

Para ir para o Complexo da Toca (R$10) saindo do Complexo da Ponte, basta atravessar para o outro lado da rodovia. Além de seu próprio escorregador, lá também está o Poço do Coração: uma piscina caprichosamente esculpida pela natureza no formato de um coração.

Complexo da Fumaça + Complexo Vargem Grande

Pouca gente sabe, mas Carrancas já foi cenário de várias novelas globais. A Cachoeira da Zilda já deu a cara nas telinhas algumas vezes, mas o principal cartão postal é a Cachoeira da Fumaça.

Localizada no Complexo da Fumaça – um parque municipal com acesso gratuito – é uma das mais bonitas e certamente a mais conhecida das cachoeiras de Carrancas. Infelizmente, hoje há uma recomendação de não entrar na água. O motivo: a água não está limpa e o elevado risco de afogamento.

Cachoeira da Fumaça: cartão postal de Carrancas
Cachoeira da Fumaça: cartão postal de Carrancas

No mesmo lugar, existem outras cachoeiras como do Luciano e a Véu da Noiva, com 40 metros de queda e que pode ser visitada tanto na parte baixa, como na parte alta a partir de trilhas curtas.

Bem perto da cidade, é um dos lugares que recebe mais turistas. Em geral, passam ali de manhã e seguem para o Complexo Vargem Grande.

Complexo Vargem Grande

No Complexo Vargem Grande paga-se R$5 de estacionamento e mais uma contribuição no valor que quiser (e se quiser). De resto, é aproveitar as inúmeras piscinas naturais e corredeiras.

Cheio de áreas verdes e pequenos poços para nadar, o difícil é escolher em quais deles parar para aproveitar. Mas uma coisa é certa: um bom tempo merece ser dedicado à Cachoeira da Esmeralda.

Uma bela queda d’água com um grande poço com a água de um tom esverdeado incrível. Tente estar lá por volta das 12hs porque a cachoeira está em um cânion e o espetáculo fica mais completo quando está iluminada pelo sol.

Cachoeiras de Carrancas: Índios

Para além das cachoeiras de Carrancas

Nós não chegamos a conhecer o Complexo Grão Mogol (R$15), por demandar a contratação de um guia e ter acesso mais complicado. Não é em todo lugar que conseguimos chegar levando a Bia e, para falar a verdade, são tantas as cachoeiras em Carrancas que não deu tempo de ir, mesmo passando lá uma semana.

Trilhas Carrancas MG
Nem sempre é possível chegar em todos os lugares levando uma bebê :-p

As agências ainda oferecem vários tipo de passeios que vão além das visitas às cachoeiras, como:

  • Trilhas e travessias pelas serras
  • Circuitos de quadriciclo e passeio de 4×4 na Chapada dos Perdizes e Serra das Broas
  • Rapel e cicloturismo
  • Voos duplos de parapente (aliás, o Paredão, onde está a rampa de voo livre é um ótimo lugar para um pôr do sol memorável)

E tem a própria cidade. Carrancas é um lugar simples, mas muito gostoso. A Igreja Matriz é bem bonita e a praça em seu entorno é ideal para ficar com crianças.

Programe-se para ir também

Nós ficamos em uma casinha muito gostosa na saída da cidade. Nessa nossa vida nômade, a Bia tem bem poucos brinquedos. É o que podemos levar. Então, normalmente damos um jeito de “criar” coisas para ela brincar. Porém, em Carrancas isso não foi um problema. Ficamos em uma casa em que também mora uma bebê e havia um baú cheio de brinquedos para ela se esbaldar. Foi uma farra a semana inteira!

Brincando em Carrancas

Carrancas ainda tem opções que vão de pousadas charmosas a albergues e campings. Muita gente procura pelos chalés nas montanhas ao redor, o que pode deixar a experiência ainda melhor. Não é difícil encontrar hospedagem por lá. Já os restaurantes são um pouco mais escassos e encontrar um lugar para comer fora do horário do almoço pode ser complicado, em especial nos dias de semana.

Na praça da Igreja Matriz estão os restaurantes mais conhecidos (e também mais caros). Destacam-se o charmoso Virada do Largo e o Adobe. Por ali, de noite, o Pit Burger pode ser a única solução aberta. Dentre as opções mais econômicas, destacamos o Uai Tchê (R$27 para comer à vontade + R$6 para a sobremesa). E o restaurante Tempero da Nair, nossa maior recomendação (R$18, sem balança).

Estivemos lá em Novembro e pegamos alguns dias de chuva. Essa época é assim e dezembro e janeiro podem ser ainda mais chuvosos. Portanto, se quer garantir dias de sol, são os meses a serem evitados. No inverno, faz frio de noite, o que pode dar uma charme especial para quem quer ficar nas montanhas.

Seguimos na estrada

Depois de uma temporada de muitas cachoeiras na Serra da Canastra, em Capitólio e em Carrancas, apontamos nosso GPS para algumas das cidades históricas de Minas Gerais. Hora de mudar um pouco de ares e curtir um pouco o clima do Brasil Colônia. Seguimos na estrada para uma etapa dessa viagem sem fim!

Sentadas no interior de Minas

tresmochilaspelomundo

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