Final de semana em Capitólio

Em um final de semana em Capitólio, você fará passeios de lancha nas águas verde esmeralda da represa de Furnas, passando por cânions magníficos e cenários deslumbrantes. Conhecerá algumas cachoeiras e piscinas naturais de água cristalina. Comerá uma boa comida mineira. E voltará pra casa com um gostinho de quero mais.

Capitólio recentemente foi descoberta por pessoas de todo Brasil e tem visto o número de turistas crescer rapidamente. Se até outro dia era mais conhecida pelas mansões do condomínio Escarpas do Lago e pelos iates na represa, hoje a oferta de passeios de lancha e cachoeiras em áreas particulares abertas ao público é enorme.

Final de semana em Capitólio

Neste post detalhamos uma programação para quem vai passar pouco tempo em Capitólio e quer saber o que há de melhor para fazer por lá. A cidade também pode ser usada como base para ir na parte baixa da cachoeira Casca D’Anta, no Parque Nacional da Serra da Canastra. Mas sobre isso falamos melhor nesse outro post.

Passeio de lancha / chalana

Em um dos dias do seu final de semana em Capitólio, acorde cedo e vá fazer um passeio de lancha. Quanto mais cedo começar, melhores as chances de encontrar os lugares ainda vazios, sem muitas outras lanchas para dividir o espaço.

Os passeios (R$70 por 2 horas e R$90 para 3 horas) podem ser fechados com agências ou diretamente no píer de onde saem. Fica na MG-050 em frente ao Restaurante do Turvo. Você para o carro no estacionamento do restaurante e alguém irá te abordar para oferecer o passeio. As lanchas saem quando fecham grupos de 8 pessoas.

Outra opção é ir de chalana (R$60), que são maiores e tem um bar funcionando durante todo o passeio. Saem do mesmo lugar, mas é importante comprar com antecedência (compre nesse site). Há diferenças. As lanchas conseguem entrar em lugares mais estreitos como o Vale dos Tucanos, onde as chalanas não vão. Além disso, as chalanas são bem mais lentas, menos confortáveis e saem mais cheias.

Os passeios irão explorar os cantos mais bonitos dessa parte da represa de Furnas. A água é super transparente, de um verde profundo lindíssimo. As cascatas caem diretamente sobre a represa dentro de cânions com paredes de pedra verticais. E nas paradas para nadar, alguns bares flutuantes completam o programa. Vale muito à pena!

De tarde, dá tempo de curtir uma cachoeira. No caminho, aproveite para parar no Mirante dos Cânions. Se até pouco tempo atrás era só parar o carro na beira da estrada e curtir a vista, hoje o acesso é cobrado (R$20). Um preço que achei bem exagerado. Aliás, o acesso a cachoeira Cascatinha (R$10) estará logo ao lado e pode ser um bom programa também.

Cachoeiras de Capitólio

As cachoeiras de Capitólio se destacam pela água incrivelmente transparente e pelo recorte geométrico das rochas, formando piscinas naturais e poços dourados perfeitos para o mergulho.

É uma região em que os rios correm dentro de cânions, garantindo cenários espetaculares para as cachoeiras. A seguir listamos as mais recomendadas. Em um final de semana em Capitólio, dá para sem pressa conciliar uma cachoeira no dia do passeio de lancha e fazer até duas outras no dia seguinte.

Trilha do Sol (R$40)

Nós conhecemos muitas cachoeiras mundo a fora. Pelo menos uma centena delas em Minas Gerais. E temos que dizer: as cachoeiras da Trilha do Sol estão entre as mais bonitas que já vimos. Acima da cachoeira, os poços parecem desenhados. Com diferentes profundidades e pequenas quedas d’água, formando piscinas naturais retangulares perfeitas para relaxar.

Trilha do Sol Cachoeira do Grito Capitólio MG
Cachoeira do Grito, Trilha do Sol

Apesar do nome trilha, trata-se de um passeio bem fácil acesso, com ótima estrutura. Cerca de 4km levam as cachoeiras No Limite, do Grito e ao pitoresco Poço Dourado. E a comida do restaurante é gostosa, uma boa opção para almoçar (pratos em torno de R$30).

Final de Semana em Capitólio: Cachoeira do Grito, Trilha do Sol

As cachoeiras podem ser fechadas em caso de chuva pelo risco de trombas d’água. O acesso é por uma curta estrada de terra que sai da MG-050, próximo ao Restaurante do Turvo, de onde partem os passeios de lancha.

Cachoeira da Capivara e da Pedra Ancorada (R$25)

A cachoeira da Pedra Ancorada oferece pequenas piscinas naturais com hidromassagem, perfeitas para crianças. A cachoeira da Capivara tem um grande poço para nadar. Em comum: a paisagem paradisíaca.

Acesso pelo MG-050, próximo ao Mirante dos Cânions. São mais 2,5km de estrada de terra. O lugar é lindo, mas não tem estrutura. Então, é bom levar lanche e água. Também fecha em caso de chuva.

Paraíso Perdido (R$40)

Dúzias de piscinas naturais e oito quedas d’água em meio à vegetação da Serra da Canastra em um cenário cinematográfico. É isto o que te espera no Paraíso Perdido. A região da entrada tem uma cara meio de clubão, com muitas mesas e churrasqueiras. É preciso caminhar sobre as pedras para conhecer as cachoeiras.

O acesso é pelo MG-050. Há uma placa sinalizando a entrada pouco depois do trevo de Furnas. São mais 4,5km de estrada de terra, sempre com placas sinalizando o caminho. Tem um restaurante, mas que não funciona durante a semana. E como em quase todas as cachoeiras da região, a chuva aqui também encerra o passeio.

Bebê na cachoeira em Capitólio, Serra da Canastra, Minas Gerais

Para fechar o dia

Depois de curtir o melhor de Capitólio, procure algum lugar para ver o pôr do sol na represa de Furnas. Nossa recomendação é no Kanto da Ilha, uma cervejaria à beira da represa com decoração bacana, comida boa e um deck com uma bela vista.

Como chegar, onde ficar e quando ir

Como chegar: A gente já estava pela região. Passamos duas semanas na Serra da Canastra em uma casa em Vargem Bonita. Então, para nós a viagem durou uma hora. Para quem vem de Belo Horizonte, são 280 km. A maior parte do tempo na MG-050, uma estrada bem cuidada e pedagiada.

Quando ir: No outono chove menos e a represa de Furnas está cheia e mais bonita. A primavera também é uma boa época. No verão, por outro lado, chove bastante em Capitólio. Pode ficar lotado nos feriados. Atenção que muitas cachoeiras fecham em dias de chuva pelo risco de trombas d’água.

Onde ficar: Há opções em Capitólio para diferentes tamanhos de bolso. A procura por mansões alugadas para grupos é alta, mas também tem resorts, pousadas, hostels, casas e quartos no Airbnb. Para poder ficar em um apartamento melhor e dentro do nosso orçamento, preferimos ficar na cidade de Piumhi, onde as opções são mais baratas. Está a meia hora de carro de Capitólio.

Nossa casa em Piumhi - Capitólio - Serra da Canastra
Nossa casa em Piumhi

Por onde vamos?

Depois de uma longa temporada de praias no Nordeste, mergulhamos em uma fase de muitas serras e cachoeiras pelo interior de Minas. Estamos adorando curtir essa vida em meio a natureza e ver como a Bia tem se adaptado bem a cada novo ambiente.

Deixando para trás a Serra da Canastra, seguimos em busca de mais paisagens bucólicas e belas cachoeiras em Carrancas. Mudamos mais uma vez de casa e em breve traremos essas notícias.

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Roteiro de 3 ou 4 dias na Serra da Canastra

A Serra da Canastra é o destino perfeito para quem gosta de ecoturismo, boa comida e quer experimentar a simplicidade acolhedora do interior de Minas. É possível conhecer as principais atrações em um roteiro de 3 ou 4 dias. Mas, se puder ficar mais, a região é lindíssima e existem dezenas de cachoeiras para visitar.

Roteiro de 3 ou 4 dias na Serra da Canastra

O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 para preservar as nascentes do Rio São Francisco. Ele nasce no alto da serra e despenca na Casca D’Anta, uma das cachoeiras mais bonitas do Brasil. Aliás, a beleza cênica das montanhas, as charmosas estradas de terra e as muitas trilhas formam um contexto perfeito para o turismo de aventura.

A comida feita no fogão à lenha, farta e cheirosa é uma tentação à parte. O torresmo, o tutu, a costelinha, a couve, os doces caseiros e o cafezinho… Para não falar do pão de queijo e, é claro, a goiabada (ou doce de leite) com uma fatia de queijo canastra fresco. No interior de Minas Gerais, todo almoço é um potencial banquete.

Roteiro pela Serra da Canastra

Nós ficamos por duas semanas em uma casa com vista para a serra na cidade de Vargem Bonita. Tivemos tempo de explorar atrações menos conhecidas, como praias nas margens do São Francisco e uma dúzia de cachoeiras diferentes. Mas, resumimos nesse roteiro o que a Serra da Canastra tem de melhor.

Mapa do Parque Nacional da Serra da Canastra
Mapa com as principais atrações do Parque Nacional da Serra da Canastra

Dia 01: Parte Baixa da Casca D’Anta

22 km de uma boa estrada de terra vai de Vargem Bonita até a portaria 4 do Parque Nacional da Serra da Canastra (R$10). Dali, uma trilha bem tranquila de menos de 2km leva até a base da cachoeira Casca D’Anta. Com 186 metros de queda livre, a Casca D’Anta é a maior cachoeira do rio São Francisco. E sem dúvidas é também a mais impressionante. O visual é espetacular!

Se a caminhada até a cachoeira é fácil mesmo com crianças, entrar no enorme poço já é outra história. Além de gelado, o poço é bem fundo e a pressão da cachoeira deixa a água agitada. Mas não se preocupe com isso. Ao longo da trilha, o rio São Francisco oferece remansos tranquilos para um mergulho revigorante.

Para quem estiver com mais disposição, uma opção para esse dia é fazer a trilha que vai da parte baixa até a parte alta da Casca D’Anta. São cerca de 2 horas para subir e outras 2 horas para voltar. É essencial levar o que for comer e beber.

Pare no caminho de volta para Vargem Bonita em um dos excelentes restaurantes com vistas incríveis e a mais tradicional comida mineira. Para um café e um pão de queijo com pernil, há um empório também. Aproveite para abastecer a dispensa com queijo canastra. Passe o restante da tarde em uma das outras atrações da região e o pôr do sol no Morro do Carvão.

Cachoeira Casca Danta - Serra da Canastra

Existem pelo menos 3 boas opções de atrações. Bem próximo à portaria do parque estão as piscinas naturais do Tio Zezico (R$10). Mais alguns quilômetros adiante está a cachoeira da Chinela (R$10). Com acesso fácil, costuma estar em todos os roteiros na Serra da Canastra. E por perto também estão as cachoeiras Lavra e Lavrinha (R$10). Para essa última, prepare-se para abrir e fechar sete porteiras no caminho. Mas, em geral, fica mais vazia que a Chinela e pode ser uma alternativa melhor para quem prefere sossego.

Dia 02: Parte alta do Parque Nacional

Um roteiro pela Serra da Canastra não pode deixar de fora o giro pela parte alta do parque nacional. Saia cedo para aproveitar bem o dia. E leve bastante água e comida porque não há nenhuma opção pelo caminho.

Saindo de São Roque de Minas, são 8km de subida até a entrada do parque nacional pela portaria 1 (R$10). Se não estiver em um 4×4, verifique as condições da estrada. Com chuva podem ficar bem complicadas. Dentro do parque, as paisagens são belíssimas e, andando com atenção, é possível ver tamanduás-bandeira, tatus, carcarás, corujas e dezenas de outras espécies de animais.

O belo voo do Carcará
O belo voo do Carcará

Recomendamos fazer o roteiro clássico: começar pela Nascente Histórica do Rio São Francisco (recebe esse nome porque a nascente de fato do rio é um tema controverso e disputado com outro local). Passar pelo Curral de Pedras e seguir para a parte alta da Casca D’Anta. Essa é a principal atração do dia. Aproveite os poços excelentes para nadar, curta o mirante e a bonita cachoeira que precede a queda principal.

Parte alta cachoeira Casca D'Anta - Serra da Canastra
Parte alta da cachoeira Casca D’Anta

Ainda nesse dia, é possível visitar a parte alta das cachoeiras do Alto dos Rolinhos e do Rasga Canga. Ambas com bons poços para nadar. Fizemos essas atrações com calma e quando voltamos para São Roque, os restaurantes já estavam fechados. Então, paramos para almoçar no pesque a pague Garça Branca no caminho para Vargem Bonita, que fica aberto até mais tarde. Foi uma excelente pedida!

Dia 03: Complexo do Capão-Forro e Fazendas de Queijo

O Complexo do Capão-Forro (R$20) fica em uma área particular, na estrada que dá acesso à portaria 01 do parque nacional. Está próximo a São Roque de Minas e conta com 5 cachoeiras lindas que chegamos sem maiores dificuldades levando a Bia. Da para passar o dia inteiro lá, se quiser. Para isso, mais uma vez, é preciso levar água e comida. Mas também é possível começar cedo e conciliar com um programa diferente de tarde.

Complexo Capão Forro, Serra da Canastra
Complexo Capão-Forro

Esse pedaço de Minas também é reconhecido pela produção do desejado queijo Canastra, patrimônio cultural imaterial brasileiro. É possível visitar fazendas de queijo, como a Roça da Cidade ou o Empório É Nóis na Canastra. E assim conhecer o processo artesanal de produção e degustar do melhor queijo do mundo (alerta: opinião de um mineiro).

Queijo Canastra
Canastra: o melhor queijo do mundo :-p

Tendo tempo ou não de visitar as fazendas, nem pense em voltar pra casa sem experimentar e comprar algumas peças de diferentes produtores. O queijo Canastra é um dos grandes destaques dessa viagem!

Uma alternativa para quem não curtir a ideia de visitar uma fazenda de queijo é voltar até São Roque e almoçar lá. Depois, seguir para a bonita cachoeira do Cerradão (R$25), também próxima à cidade.

Roteiro Serra da Canastra

Dia 04: Cachoeira do Fundão

Somente a Casca D’Anta na Serra da Canastra é capaz de rivalizar com a beleza da cachoeira do Fundão. E não são poucas as pessoas que a considerem ainda mais especial. Uma queda magnífica sobre um poço amplo e profundo de água cristalina. O acesso complicado a deixa bem menos frequentada e muito melhor preservada. Com um charme a mais: é possível nadar até uma gruta atrás da cachoeira e vê-la de um ângulo completamente diferente.

Roteiro Serra da Canastra - Cachoeira do Fundão
Cachoeira do Fundão

Não é fácil chegar lá e por isso acaba ficando de fora do roteiro de muita gente na Serra da Canastra. Está mais próxima da portaria 2 e a cerca de 50 km de São Roque de Minas. A estrada de terra toma tempo para ser vencida e os últimos 5 km são bem ruins, realmente só recomendados para 4×4. Há quem deixe o carro lá em cima para continuar a pé. Outra opção é fechar com uma agência para te levar.

Mesmo para quem está de 4×4, tem ainda uma trilha de cerca de 45 minutos que envolve pequenas escaladas em pedras e alguns trechos com corda e mata um pouco fechada. Não há muita sinalização, por isso é preciso ir com atenção. É um pouco complicada, mas a gente estava com a Bia no canguru e chegamos lá sem problemas. Na volta, é possível fazer um pequeno desvio para conhecer outra atração típica da Canastra, a Garagem de Pedra.

Se você tem mais dias

Em um roteiro pela Serra da Canastra, é possível ir acrescentando cachoeiras à sua programação quase que indefinidamente. Perto do acesso à parte baixa da Casca D’Anta, você pode explorar todas as opções que listamos na sugestão de roteiro para o primeiro dia. E quando o rio São Francisco está com um bom volume d’água, também é possível fazer um boia cross por ali.

Cachoeira do Fundão, Serra da Canastra

Entre São Roque de Minas e São João Batista da Canastra a lista de lindas cachoeiras é longa. Entre outras, as cachoeiras Antônio Ricardo, dos Escravos e o acesso à parte baixa do Rolinhos são destaques.

Com mais tempo ainda, dá para conhecer Capitólio, cada vez mais procurada por gente de todo Brasil. Leva 1h30 em uma boa estrada asfaltada até as principais atrações. A gente foi lá, mas não a partir de nossa base na Serra da Canastra. Mudamos para uma casa mais próxima, em Piumhi. Mas isso a gente conta no próximo post.

Roteiro Serra da Canastra - Parte Baixa Casca D'Anta

Quando ir

Segundo o site do ICMBio, que administra o parque nacional, a época ideal para visitar a Serra da Canastra é de abril a outubro, que é quando chove menos. Nessa época, em especial junho e julho, é bem mais fácil chegar nas atrações mesmo em um carro convencional (a cachoeira do Fundão continua demandando pelo menos um carro bem alto).

Os períodos chuvosos trazem o risco de trombas d’água e pioria muito as condições das estradas. Aí só de 4×4. Por outro lado, é a chance de ver as cachoeiras bem volumosas, o que pode valer o sacrifício.

Onde ficar

A Serra da Canastra ocupa uma área grande e a maior parte das estradas é de terra. Então, escolher errado onde ficar pode atrapalhar muito a sua vida. Vou dar um exemplo: se você estiver hospedado em Delfinópolis e quiser visitar a parte alta da Casca D’Anta, são 3 horas só para chegar lá. Se chover, piorou. E ainda tem que voltar, né?

Para quem irá se concentrar nas principais atrações, São Roque de Minas é a melhor opção para usar como base. Está mais próxima da parte alta da Serra da Canastra (roteiros sugeridos para os dias 2, 3 e 4). Mas, Vargem Bonita é quase tão boa quanto e está mais próxima da parte baixa da Casca D’Anta (sugestão para o dia 01). De qualquer forma, leva menos de 30 minutos para ir de uma cidade até a outra.

Ficar em Sacramento ou Delfinópolis faz sentido para quem quer explorar regiões menos conhecidas da Serra da Canastra. Também repletas de cachoeiras lindas. E tem Capitólio para quem quer conciliar a visita aos cânions com uma bate e volta à parte baixa da Casca D’Anta.

Vida na roça

Vida na roça, Vargem Bonita MG

Nós ficamos duas semanas em uma casa em Vargem Bonita. Pesou – como acontece sempre nas nossas escolhas – as opções disponíveis de hospedagem. Vargem Bonita é ainda menor e mais pacata que São Roque de Minas. Lá, encontramos um lugar simples, já fora da cidade. Com a cozinha na varada de frente pra serra, com quintal e galinhas em volta.

Mergulhamos em uma rotina mineira, de tomar café da manhã vendo os passarinhos, a Beatriz sair para cumprimentar o tio do trator e os vizinhos aparecerem no portão para um dedo de prosa.

A vida nômade permite esse luxo, poder experimentar diferentes realidades por um tempo. Mas é “nômade”, afinal. Então, seguimos em frente. Ainda nos limites da Serra da Canastra, mas em uma casa e uma atmosfera bem diferente.

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Hoje foi dia de mudança. Nos despedimos da nossa casinha na Serra da Canastra. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Foram 2 semanas vivendo uma rotina simples e deliciosa que começava na varanda, que era integrada com a cozinha e tinha uma super vista para a serra. Dividimos esses momentos com falcões, tucanos, seriemas, maritacas e outros tantos pássaros que passavam pra lá e pra cá. Aquele cafezinho e o melhor pão de queijo (claro que feito com queijo canastra.) ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Dali seguíamos o roteiro: Estrada de terra + caminhada + cachoeira + almoço no fogão a lenha. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ E de volta à nossa varanda para um dedo de prosa com os vizinhos e aquele pôr do sol na serra. Até que a invasão de besouros e outros tantos insetos dava o nosso toque de recolher. 😳😝 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Dias passados sem pressa, curtindo o ritmo e as delícias do interior de Minas. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #serradacanastra #canastra #riosaofrancisco #velhochico #cachoeira #nomadesdigitais #familianomade #nomadismodigital #digitalnomad #digitalnomadfamily #nomadlist #viajandocomcrianças #viajandocombebe #travellingwithkids #travellingfamily #slowtravel #mochilaoemfamilia #mochilaocombebe #backpackingwithkids #mochilandopelomundo #tresmochilaspelomundo

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Dez experiências imperdíveis em Fernando de Noronha

A lista de possíveis experiências para viver em Fernando de Noronha é imensa. A ilha é um dos lugares mais bonitos do mundo, com dezenas de atrações para todos os gostos. Diante de tantas opções, o que fazer? Descrevemos nesse post os momentos mais memoráveis dos 10 dias que ficamos por lá.

Pôr do sol em Fernando de Noronha

A lista não segue nenhuma ordem específica. Todas as experiências abaixo ajudam a fazer de Noronha um dos destinos mais cobiçados do Brasil. Algumas delas recomendamos até fazer mais de uma vez. E apesar de ser um destino de natureza, com trilhas e infraestrutura simples, ir com filhos não é problema. A gente estava com a Bia e não deixamos de fazer nada!

#1. Caminhar entre a Praia do Boldró e a Baía dos Porcos

Que tal passar o dia caminhando por algumas das praias mais bonitas do Brasil com uma vista quase permanente para o principal cartão postal de Noronha: o Morro Dois Irmãos?

Praia do Americano, Fernando de Noronha
Praia do Americano

É isso o que te espera na trilha Costa Esmeralda. Na verdade, a trilha começa na Praia do Cachorro e se você estiver com disposição e quiser incluir mais esse trecho (praias do Cachorro, do Meio e da Conceição), sem dúvidas valerá à pena!

Trata-se de uma sequência sensacional de praias, que também passa pelo Boldró, Americano, Bode, Cacimba do Padre – onde ocorre uma etapa do campeonato mundial de surf – e termina na famosíssima Baía dos Porcos.

Recomendamos fazer o trajeto sem pressa, parando em cada praia. Das experiências em Noronha, curtir a areia dourada e o mar transparente é a que mais tem a cara da ilha. Alguns trechos exigem pequenas escaladas em pedras, principalmente quando a maré está alta. Levar a Bia exigiu um cuidado adicional, mas foi até tranquilo.

Cacimba do Padre com Morro Dois Irmãos, Fernando de Noronha
Cacimba do Padre

#2. Ver tubarões bebês na Praia do Sueste

Existem experiências que só são possíveis em Noronha: estávamos sentados com a Bia na praia, aproveitando uma piscina natural rasinha. Ótimo para ela brincar protegida das ondas. Então, quando a maré começou a subir, passou nadando bem no meio de nós um pequeno tubarão! E logo depois mais um. E mais alguns nos minutos seguintes.

Não é em qualquer lugar que você divide a piscina natural com alguns tubarões

Esses tubarões bebês, com cerca de um metro de tamanho, aparecem aos montes na Praia do Sueste. Eles se abrigam lá para não virar comida de tubarões maiores. E dá para observá-los bem de perto, sem precisar molhar mais do que as canelas no mar. É incrível.

Em Fernando de Noronha há uma quantidade enorme de tubarões de diferentes espécies. Esse é um dos grandes baratos da ilha. E não há porque temer. Os registros de ataques, além de muito raros, sempre envolvem um ser humano fazendo algum tipo de bobagem (do tipo tentar pegar um tubarão com as mãos ou cutucar um deles com um pau-de-selfie).

Portanto, essa experiência é super indicada para todos! Recomendamos inclusive fazer um snorkel por ali. Dá para alugar o equipamento no Sueste mesmo. Além dos próprios tubarões, é bem comum encontrar tartarugas enormes se aproveitando das águas protegidas da baía.

Perto do Sueste, a Praia do Leão é outro ponto que reúne muitos tubarões próximos da areia. Mas de mar aberto, não são só os pequenos que dão as caras por ali.

Praia do Leão, Fernando de Noronha
Praia do Leão

#3. Descer as escadas para a Praia do Sancho

Lá embaixo, está a praia considerada a mais bonita do Brasil e uma das cinco mais bonitas do mundo. Em cima, está você, louco para mergulhar naquele mar azul turquesa absurdamente transparente. Entre vocês, uma escada vertical que entra por um fenda estreita na rocha e desaparece no interior da montanha.

Muita gente fica com receio de encarar essa escada até a Praia do Sancho, mas a não ser que você chegue de barco, esse é o único caminho. Nós ficamos receosos também. Afinal, como seria para descer carregando a Beatriz?

A boa notícia é que apesar dessa escadaria pedir um pouco de atenção e disposição, ele é acessível para a grande maioria das pessoas. Colocamos a Bia no canguru, deixamos ela bem junto ao corpo e passamos sem maiores dificuldades. E o visual fica ainda mais espetacular depois de vencer os degraus mais famosos do Brasil. Esta praia inigualável merecia ser acessada de uma forma única.

É claro que depois de descer, também é preciso subir de volta as escadas que dão acesso à Praia do Sancho

#4. Curtir com calma a praia mais bonita do Brasil

Existem lugares que você já viu mil fotos, já ouviu um milhão de elogios e ainda assim não consegue segurar o queixo quando vê pela primeira vez com os próprios olhos. A beleza da Praia do Sancho é absolutamente irresistível.

Mirante Praia do Sancho
Sancho: a praia mais bonita do Brasil

O acesso complicado já explicado acima e o fluxo cada vez maior de visitantes levaram a um controle de horários para subida e descida. Durante uma hora só é possível descer. Na hora seguinte, só se pode subir. E assim vai alternando. Querendo fazer um monte de coisas no mesmo dia e não querendo perder uma janela de subida, muitas pessoas passam pouco tempo aproveitando mesmo a praia. Acabam indo embora rápido demais.

Nossa dica é: viva essa experiência dando a ela o tempo que merece. Dificilmente você terá tão cedo oportunidade de estar em uma praia tão linda. Desfrute! Tome também algumas precauções: Leve snorkel, lanche e água porque não há nenhuma estrutura depois da portaria do parque nacional. E passe bastante protetor porque são poucas as sombras disponíveis.

No mais, relaxe e veja como a praia fica mais vazia de tarde. Tenha momentos quase que sozinho em um dos cantos mais incríveis que você terá visitado na vida.

Praia do Sancho vazia, Fernando de Noronha
Praia do Sancho vazia: uma das melhores experiências de Noronha

#5. Refrescar em uma piscina natural

Quem não curte passar um tempo relaxando em uma piscina natural de água transparente, com peixinhos nadando a sua volta e de frente para um visual cinematográfico?

Na maré baixa, Fernando de Noronha fica repleta de piscinas naturais. Algumas, como a do Atalaia, são restritas a poucas pessoas pré-agendadas por dia. Na Baía dos Porcos tem outra que a entrada é proibida a todos para preservar seus coloridos corais. E tem ainda o Buraco do Galego, na Praia do Cachorro, que o problema é diferente: desde que o Neymar e a Bruna Marquezine tiraram uma foto lá, passou a formar filas de turistas em busca do clique instagramável.

Mas não se preocupe, não faltam opções espalhadas por toda a ilha. Em pouco tempo você irá encontrar uma piscina vazia só te esperando. Aliás, as praias de modo geral não ficam cheias. Isso torna essas experiências em Noronha muito mais especiais.

Experiências em Noronha: piscina natural na Baía dos Porcos
Baía dos Porcos, piscina natural com vista para o Morro Dois Irmãos

#6. Apreciar as vistas

Um lugar lindo, cheio de falésias e acidentes geográficos não poderia dar em outra coisa: uma enorme oferta de belíssimos mirantes. Boa parte das pessoas voltam de Fernando de Noronha com a imagem de uma vista sensacional como a memória mais forte da ilha. Às vezes, só do alto é que é possível capturar o espetáculo da natureza em sua grandeza.

Alguns desses mirantes são de fácil acesso, como na Praia do Leão. Outros têm estrutura, mas demandam alguma caminhada. Como o percurso que passa pela Baía dos Golfinhos, Praia do Sancho e Baía dos Porcos. Para os outros casos, ponha as pernas para trabalhar! Encare as trilhas, se arrisque um pouco a subir as pedras e busque as vistas do alto. Dificilmente Noronha irá te desapontar.

Mirante para a Baía dos Porcos com o Morro Dois Irmãos
Vista para a Baía dos Porcos

#7. Fazer a trilha do Atalaia

Um dos programas mais procurados de Noronha é a trilha do Atalaia. Existe uma versão curta – uma caminhada leve que visita uma piscina natural – e uma versão longa – três piscinas naturais e uma caminhada mais pesada.

Ambas precisam ser pré-agendadas e atenção: as vagas são concorridas e esgotam rapidamente. Para a versão longa também é obrigatório contratar um guia. Para saber mais sobre o agendamento de trilhas, acesse o site do Parque Nacional de Noronha.

A trilha curta vai até a piscina natural que se forma na maré baixa na praia do Atalaia. Um número limitado de pessoas terá direito a fazer um snorkel ali e o tempo na água é cronometrado. Cada um pode ficar, no máximo, 30 minutos. Tudo controlado pelo ICMBio. O mar é especialmente transparente e berçário de diversas espécies, recebendo inclusive tubarões e tartarugas.

Experiências: Trilha do Atalaia: Ilha do Frade, na chegada da Praia do Atalaia, Fernando de Noronha
Ilha do Frade, na chegada da Praia do Atalaia

#8. Mergulhar

Fernando de Noronha é um dos principais destinos de mergulho do mundo e tem opções para diferentes níveis de mergulhadores. O mar é reconhecido pela visibilidade incrível e pela imensa diversidade e abundância de vida marinha.

A gente sempre soube que esta seria uma de nossas melhores experiências em Noronha. Mergulhar foi nosso principal motivo para ir para a ilha (não que faltassem outras boas razões).

Mergulhando de cilindro, vimos barracudas gigantes e lagostas do tamanho de um cachorro, diferentes tipos de tubarões e uma variedade enorme de peixes. Mas quem roubou a cena no último mergulho foi uma raia manta com mais de quatro metros de envergadura. Nos avisaram que se a gente contasse não acreditariam, mas não é história de mergulhador não. Vimos mesmo! 😉

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Em 2010 fizemos nosso primeiro curso de mergulho em Arraial do cabo. Estávamos às vésperas de iniciar nossa viagem de volta ao mundo e íamos passar por países famosos por excelentes mergulhos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Foi paixão no primeiro cilindro! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ De lá pra cá mergulhamos em lugares incríveis como no Mar vermelho, Indonésia, Tailândia, San Andres, Ilha de Páscoa e Cozumel. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Noronha sempre esteve na nossa lista de desejos. Afinal, como não conhecer o ponto de mergulho brasileiro mais espetacular com seus famosos tubarões e a excelente visibilidade. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ E não decepcionou. A vida marinha de Noronha é riquíssima! Vimos diversos tubarões e até uma raia manta de 4 metros 😱😍. Algo super raro e emociante até para os instrutores que mergulham diariamente na ilha. Vimos tanta coisa que é melhor deixar pra contar em um proximo post. 😜 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #fernandodenoronha #noronhese #scubadive #atlantisnoronha #mergulhonoronha #noronhacombebe #nordestebrasileiro #nomadesdigitais #familianomade #nomadismodigital #digitalnomad #digitalnomadfamily #nomadlist #viajandocomcrianca #travellingwithkids #travellingfamily #vidasimples #slowtravel #mochilaoemfamilia #backpackingwithkids #mochilandopelomundo #tresmochilaspelomundo

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Se você não mergulha com cilindro, Noronha é o lugar para fazer o batismo – que é um mergulho guiado que dispensa qualquer experiência prévia. Se ainda assim não for sua praia, o snorkel também é fenomenal. Foi assim que vimos tubarões menores, muitas tartarugas, cardumes lindos e muito mais, até mesmo um grande naufrágio na Praia do Porto.

Existe ainda a opção do Aquasub, também chamado de pranchinha. Que é um snorkel puxado por uma lancha. Isso te permite vasculhar uma área muito maior, além de que os pilotos sabem bem onde te levar. No mais, se jogue na água com uma máscara sempre que puder. Explorar o fundo do mar é um programa imperdível em Noronha.

Experiências em Noronha: mergulhar
Nós dois aí na água deixa a pergunta: quem está tomando conta da Bia?

#9. Ver golfinhos rotadores saltando

O golfinho rotador tem cerca de 2 metros e a capacidade de dar grandes saltos para fora da água girando até sete vezes sobre o próprio eixo. Eles se reúnem em grandes grupos e os saltos fazem parte de uma exibição para potenciais parceiros. É um espetáculo que dificilmente você irá esquecer.

As experiências com golfinhos são uma das marcas registradas de Noronha. Para ver uma multidão deles, vá bem cedo ao Mirante dos Golfinhos. O portão do parque nacional abre 6h30, esteja lá. Centenas se reúnem nesse local e quanto mais cedo, melhores as chances de vê-los. Porém, saiba que será de bem longe e bem do alto. Leve binóculos, se tiver.

Experiências em Noronha: ver golfinhos. Mirante dos Golfinhos, Fernando de Noronha
Mirante dos Golfinhos

Para ver os golfinhos de perto, é preciso estar na água. Voltando dos mergulhos, passamos perto de alguns grupos. Em uma dessas vezes, algumas dezenas deles nos seguiram por uns cinco minutos. Como o mar é muito transparente, era possível ver como vinham nadando rápido e se projetavam rodopiando para fora d´água. Sensacional! Boa parte das pessoas que fazem os passeios de barco, amplamente ofertados na ilha, têm oportunidade de ver uma cena parecida com essa.

Mas, provavelmente a melhor experiência a se ter com os golfinhos rotadores seja na canoa havaiana. Você vai remando até perto de onde eles costumam aparecer e são bem grandes as chances de você se ver cercado deles.

#10. Fechar o dia com o pôr do sol no mar

Nenhuma lista de experiências em Noronha poderia deixar de fora a mais tradicional de todas: curtir o pôr do sol. O pôr do sol na ilha é um clássico. Primeiro porque é no mar, o que não acontece no litoral brasileiro. Segundo, pelo contorno inconfundível das montanhas de Noronha. Por fim, porque quando um dia acaba no paraíso, em geral, você está tomado por uma sensação maravilhosa de contentamento.

Para muitos, o pôr do sol no Forte do Boldró é o mais bonito, com o Dois Irmãos ali pertinho. Para quem quer ver o dia terminar em grande estilo, o restaurante Mergulhão na Praia do Porto tem mesas disputadíssimas (e preço alto também). O mais procurado é na praia da Conceição, próximo ao Bar do Meio. Eu gostei muito do visual da fortaleza Nossa Senhora dos Remédios. A dica é aproveitar cada dia em algum lugar diferente.

Experiências em Noronha: pôr do sol na praia da conceição, bar do Meio
Praia da Conceição

Por essas e muitas outras experiências que a gente já sai de Fernando de Noronha querendo voltar. Deu vontade de ir?

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A Paraíba surpreende

Se você não conhece a Paraíba, é quase certo que o estado te surpreenda. Se já conhece, mas não é apaixonado ainda, então volte lá porque garanto que vai valer à pena! As praias da Paraíba são maravilhosas, a capital é muito bem organizada e gostosa de visitar e em Campina Grande está o maior e mais tradicional São João do Brasil. Inexplicavelmente, é bem menos badalada que outros estados do Nordeste. Mas, não se deixe enganar, a Paraíba surpreende!

Praias da Paraíba

Jampa

João Pessoa é um lugar que da vontade de morar. Uma orla bonita, avenidas bem cuidadas, muito verde e o trânsito que funciona melhor do que em outras capitais brasileiras. Não é grande demais a ponto de ficar caótica, nem pequena demais para que falte infraestrutura. Do tamanho ideal para uma vida tranquila junto ao mar.

Em Jampa – como João Pessoa é carinhosamente chamada – existe uma boa oferta de atrações para ocupar pelo menos dois ou três dias dos visitantes. A começar pelas praias próximas ao centro, que entre dezembro e março contam com o mar verde clarinho. As praias Tambaú e Cabo Branco estão na região hoteleira e os quiosques do calçadão funcionam como bares e restaurantes. Já a praia do Bessa tem menos estrutura e e um visual menos urbano.

Bebê em João Pessoa

Um programa clássico é fazer um dos passeios para a Ilha Vermelha ou as piscinas naturais do Picãozinho ou do Seixas. Vale dizer que as três se formam na maré baixa e os passeios só estão disponíveis cerca de 20 dias por mês. Quer se planejar, olho na lua e na tábua de marés.

Se estiver com tempo disponível na cidade, vá conhecer o centro histórico. Em especial o Centro Cultural São Francisco, considerado um dos mais belos exemplos do barroco brasileiro. Não espere um centrinho gostoso de caminhar, mas para quem gosta de garimpar construções coloniais, é uma boa opção.

E para fechar seu dia, vá ver o pôr do sol na Praia do Jacaré ao som de Bolero de Ravel, saindo do sax de José Jurandir Félix, o Jurandy do Sax.

O ponto mais oriental das Américas

Em João Pessoa está a Ponta do Seixas – o ponto mais oriental das Américas. Lá, o sol nasce antes de qualquer outro lugar do continente americano. Da primeira vez que estive em João Pessoa, acampei na Ponta do Seixas para ser o primeiro a ver o sol surgir no horizonte. Coloquei o despertador para as 5hs só para descobrir que já era dia há pelo menos 20 minutos rs. A praia em si vale mais pela curiosidade geográfica, mas o Farol de Cabo Branco e o Bosque dos Sonhos são um ótimo lugar para passar o tempo com crianças. A Bia se divertiu durante horas nesse parque muito bem cuidado.

Além disso, dali saem passeios para as piscinas naturais do Seixas. São menos concorridas que as piscinas do Picãozinho e que a Ilha Vermelha. A Ponta do Seixas é também o caminho para as praias do sul da Paraíba. Vale dizer que enquanto as praias ao norte de João Pessoa tem acesso bem complicado, na direção sul, em especial no município do Conde, estão praias maravilhosas e com acesso bem mais fácil.

O litoral sul

Poucos lugares no mundo podem se dar ao luxo de ter praias como as da Paraíba praticamente desertas. Se alguns lugares do litoral sul concentram bares, restaurantes e um pouco de movimento, são longos os trechos praticamente sem estrutura e com a areia inteirinha esperando só por você.

Praias da Paraíba: Coqueirinhos, mirante da Praia de Tambaba
Mirante da praia de Tambaba

Entre as praias que merecem destaque está a do Amor. Assim como sua homônima em Pipa, é bela pelas falésias e o mar limpo e esverdeado que domina a região. E ainda tem um atrativo peculiar: uma rocha furada que garante sorte no amor ao casal que passar por baixo. Nada mal!

Ainda mais tranquila, é a praia da Tabatinga. Com lagoas de água doce do rio Bocatu, mais falésias coloridas e recifes compondo o cenário. A areia fofinha e gostosa de caminhar. A estrutura de apoio é mínima, como acontece na maior parte das praias do sul ou do norte da Paraíba e é melhor levar o que for comer e beber.

Praia dos Coqueirinhos, Conde PB
Praia do Coqueirinho

Seguindo adiante, vem a praia do Coqueirinho. Simplesmente linda! A curva delicada da praia, os coqueiros nas encostas, o mar calmo e quentinho… deliciosa! Perfeita para nós e para a Beatriz correr à vontade. E não é só o mar a grande atração por ali. Um pouco mais pra frente, em uma parte praticamente deserta da praia, as falésias se desdobram em canyons e anfiteatros naturais. Algumas formações incríveis se destacam como o Castelo da Princesa e não faltam mirantes para curtir essa beleza também do alto.

Pescadores nas Praias da Paraíba: Coqueirinhos, Conde PB

Cânion nas falésias e o Castelo da Princesa, Praia dos Coqueirinhos PB
Cânion nas falésias e o Castelo da Princesa à direita

Boa parte das praias da Paraíba pode ser explorada a partir de passeios de buggy que saem de João Pessoa. Se na direção norte essa é em geral a melhor pedida, no sentido sul não chega a ser imprescindível. Não há dificuldades em ir no próprio carro, basta caminhar o pedaço final pela areia.

Praias da Paraíba: Coqueirinhos Conde

Tambaba: a experiência nudista.

Continuando para o sul, vem a praia de Tambaba. Tratam-se, na verdade, de duas praias. A primeira parte da Tambaba está aberta a todos é lindíssima. Um mirante logo na chegada (vista para a última parte da praia do Coqueirinho) já vale o passeio. A primeira faixa de areia é pequena, mas inesquecível. Na maré baixa, tranquilidade. Com ela subindo, começa a luta diária da rocha com um coqueiro no alto contra o mar. Bonito de ver.

Praias da Paraíba: Tambaba
Tambaba: a primeira parte da praia é aberta a todos, com ou sem roupas

Mas é a segunda parte da Tambaba que merece nosso destaque. Cruzando um pequeno morro que divide os dois trechos, vem a Tambaba que é realmente famosa. Além de incrivelmente bela (sempre na lista das mais bonitas do Brasil), trata-se da primeira praia oficial de naturismo do Brasil. Não há opção, só pode entrar se estiver peladão. Quer saber se a gente foi? Em poucas palavras: a experiência nudista é libertadora! Foi muito legal. Veja o relato que a Letícia colocou no Instagram:

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Você já ouviu falar na Praia de Tambaba? Essa praia incrivelmente linda fica a 35km de João Pessoa e surpreende logo na chegada com uma imponente pedra com um coqueiro no alto e suas piscinas naturais (passa pro lado pra ver ele na maré alta e na baixa). Mas, o inusitado não para por aí. É só andar um pouquinho que encontramos uma divisão na praia. A partir dali o local passa a ser naturista, ou seja, as pessoas só podem entrar completamente nuas. 😱 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Que é isso?! Então a praia fica cheia de homens tarados? Nãaaaooo! A praia tem várias regras e o ambiente é super familiar. Logo na entrada estão listadas as regras que proíbem homens desacompanhados, fotografar outros banhistas e usar qualquer tipo de vestimenta. Ah, e claro que qualquer ato obsceno também é proibido. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Tem visitante de todas as idades e, em geral, são discretos e não ficam reparando uns nos outros. Sem NENHUM assédio. Tudo na maior naturalidade. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Para nós, foi uma experiência leve e divertida. E você, toparia visitar a praia? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #joaopessoa #jampa #paraiba #tambaba #praianaturista #praiadenudismo #naturismo #nordestebrasileiro #nomadesdigitais #familianomade #nomadismodigital #digitalnomad #digitalnomadfamily #nomadlist #viajandocomcrianca #travellingwithkids #travellingfamily #minimalismo #vidasimples #slowtravel #mochilaoemfamilia #backpackingwithkids #mochilandopelomundo #tresmochilaspelomundo

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Não é a primeira vez que eu vou a Paraíba. E não foi a primeira vez que me surpreendi. Com a boa estrutura de João Pessoa. Com a simpatia das pessoas. E com a beleza das praias. Sempre vale à pena voltar!

Praias da Paraíba

A caminho do sonho

Deixamos João Pessoa rumo a Pernambuco e a realização de um sonho. Quando pensamos no roteiro para a fase “brasileira” de nossa vida pelo mundo – ou seja, o segundo semestre de 2019 – um único destino estava definido. O restante a gente foi encaixando. Era um sonho nosso. Um dos poucos lugares do Brasil que a gente falava em ir há muito tempo, mas ainda não conhecia.

Para isso, a gente ainda precisava passar pelo Recife. Com dois dias de folga, a gente achou uma ideia bem melhor ficar em Olinda – a charmosa e histórica vizinha da capital pernambucana. Foi uma decisão super acertada. Foram dias de bastante calor, então rodamos lentamente pelo centro histórico e aproveitamos também para descansar um pouco.

Até porque os próximos dias a gente sabia que seriam intensos. De Olinda, fomos para o aeroporto de Recife e, de lá, rumo ao mais cobiçado paraíso brasileiro. Veja no próximo post!

Vista da janela do avião

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As praias de Pipa

As praias de Pipa entram facilmente para a lista das mais bonitas do Brasil. E o que não faltam são falésias para apreciá-las do alto. São vistas que sozinhas já valem a viagem. Isso sem falar no astral relaxado da vila. Não é por acaso que Pipa se tornou a grande estrela do litoral do Rio Grande do Norte.

O vilarejo está localizado no município de Tibau do Sul e merece muito mais do que um bate e volta a partir de Natal (85km). Uma bela lista de praias que devem ser curtidas com calma, mirantes incríveis, bons restaurantes, uma noite animada etc. São muitos os motivos para ficar por lá.

Praia em Pipa RN com falésias e pedras caídas

A primeira vez que fomos juntos à Pipa foi em 2014 e ficamos por uma semana. Dessa vez, aumentamos para duas semanas. Tempo suficiente para a gente ajustar nossa rotina ao ritmo das marés.

Se você não tiver tantos dias (o que é bem normal), considere ficar lá por pelo menos 2 ou 3 noites. Isso já dará tempo de conhecer bem as praias e curtir a vila. Você não se arrependerá!

Pipa: um dos trechos mais bonitos do litoral do Brasil

O litoral brasileiro é bem privilegiado. Contamos com uma diversidade de belas praias respeitável. Quantidade com qualidade. Portanto, se destacar não é fácil. Mas Pipa está um degrau acima. Faz parte do grupo seletíssimo das praias mais bonitas de todo Brasil.

O litoral é recordado, com praias de areia dourada emolduradas por falésias multicoloridas. A vegetação densa e os coqueiros enfeitam as encostas. Na maré baixa, surgem as piscinas naturais de água transparente.

Mãe e filha do mirante do Chapadão olhando para a Praia do Amor - Pipa RN

Algumas praias de Pipa têm bares badalados, mas também existem longos trechos quase desertos para contemplar sossegado. Os golfinhos são tão frequentes que é fácil avistar grupos e até mesmo nadar entre eles.

É um excelente lugar para fazer longas caminhadas. O cenário muda de uma praia para outra, sempre surpreendente. É possível caminhar ora pela areia, ora pelo topo das falésias. O visual é de tirar o fôlego. Mas é bom estar preparado para o sobe e desce. As escadarias fazem parte do dia a dia em Pipa.

Pai e filha nas Escadarias de Pipa

As praias de Pipa

A Praia da Pipa propriamente dita é também conhecida como Praia Principal ou do Centro. Então, para ficar claro, quando falamos das praias de Pipa estamos incluindo tudo o que está entre Barra do Cunhaú e a Lagoa de Guaraíras, em Tibau do Sul.

Mapa das praias de Pipa
Mapa de Pipa: fonte https://mapasblog.blogspot.com/

Ao sul da vila de Pipa

Da Vila de Pipa até Barra do Cunhaú de carro não leva nem 40 minutos (isso se não houver fila para a balsa). Outra opção é fazer o trajeto pelas praias de buggy, quadriciclo ou jeep. No último trecho do caminho, é preciso atravessar o rio Catú em pequenas jangadas. Aliás, essa travessia foi o ponto alto do nosso dia. Um cenário espetacular e a situação inusitada do carro flutuando lentamente sobre o rio.

Barra do Cunhaú tem praias às margens do rio Curimataú e piscinas naturais junto ao mar. Venta bastante, o que atrai escolas e praticantes de kite e windsurf. Seguindo na direção de Pipa, Sibaúma tem uma pegada parecida, com piscinas naturais na maré baixa protegendo do mar agitado. Alguns restaurantes com dúzias de opções de pratos de camarão dão apoio a quem quiser passar o dia por lá.

Na sequência, vem a Praia das Minas, outra com bem pouco movimento. Algumas poucas casas próximas e a distância ainda razoável do centro mantem essa bonita praia de mar agitado vazia.

Chega-se, então, ao Chapadão – um dos pontos mais frequentados de Pipa. Uma imponente falésia alaranjada que se projeta sobre o mar com uma visão fantástica para a Praia das Minas, dos Afogados e do Amor. Em uma noite de lua cheia, fomos até lá para ver ela nascer no mar. O vento incomodou um pouco, mas a cena da lua enorme surgindo no horizonte foi inesquecível.

Logo abaixo do Chapadão está a Praia da Cancela, que fica quase deserta e é lindíssima. Na sequência, as praias dos Afogados e do Amor formam o principal cartão postal de Pipa. Contam com bares com música boa ou música nenhuma (o que muitas vezes é bom). São as mais frequentadas pelo público descolado.

Praia do Amor - Pipa RN

Ao norte

A Praia Principal ou Praia da Pipa é a mais urbana, acessível e movimentada de todas. É possível chegar de carro (em geral, nas praias de Pipa é preciso encarar uma escadaria) e a areia é dominada pelas barracas dos restaurantes. Enormes piscinas naturais a tornam bastante adequada para as famílias e as excursões. É bem bonita, mas fica cheia demais. A gente prefere tranquilidade, então geralmente passava ali e seguia adiante rumo a mais linda das praias da região.

Na entrada da Baía dos Golfinhos, está a Praia do Curral. O cenário é impactante. Uma longa praia com as falésias totalmente tomadas pela vegetação, completamente preservada e com um mar incrível cheio de golfinhos. Passeios de barco vão até lá para vê-los de perto, mas chega a ser possível ir nadando e ficar entre eles. Uma experiência memorável em nossa praia preferida.

Baía dos Golfinhos - Pipa RN

Para aproveitar melhor as praias de Pipa, é importante ficar de olho nas marés. Além das praias ficarem muito mais bonitas e formarem as piscinas naturais somente na maré baixa, o caminho entre elas pode ficar inviável quando o mar sobe. A Baía dos Golfinhos, por exemplo, fica inacessível na maré alta. Não há escadaria e, principalmente nos dias de lua cheia ou nova, o mar fecha completamente a passagem dos dois lados.

Na Praia do Madeiro, segue o espetáculo. Existem bares de apoio próximo à escadaria que dá acesso a partir do estacionamento e se afastando um pouco disso é só a natureza dominando a paisagem.

As falésias continuam presentes na Praia das Cacimbinhas, mas agora menos gente ainda a frequenta. Para quem está de carro, há um mirante no caminho que merece a parada. Do outro lado da estrada uma enorme duna onde muitos se divertem no esquibunda. Para quem está a pé, é uma oportunidade para esticar a caminhada até Tibau do Sul, com o paraíso inteiro só para você.

Praia do Giz - Tibau do Sul RN

Chegando a Tibau do Sul, a Praia do Giz tem piscinas naturais e restaurantes com boa estrutura disponível para day-use. É também muito bonita. Junto à foz da Lagoa dos Guaraíras concentram-se a maioria dos bares e restaurantes. Dali saem passeios para explorar de barco a lagoa. Outro programa clássico por ali é curtir o pôr do sol.

Pôr do Sol na Lagoa de Guaraíras - Tibau do Sul RN

O clima relaxado

Da primeira vez que estivemos em Pipa, Beatriz ainda não tinha nascido e pudemos encarar uma caminhada desde a Praia das Minas até Tibau do Sul. É um pouco longo, mas recompensador.

Dessa vez, com ela, não deu para encarar essa distância toda, mas ainda assim fizemos algumas boas caminhadas. Aproveitamos bem uma mochila para levar ela nas costas que conseguimos emprestada. Encaramos o sol forte e curtimos muito os dias em Pipa.

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Pipa, chegamos! Geralmente usamos o primeiro dia em um destino para organizar a vida. Fazer um supermercado, deixar a comida da Beatriz encaminhada e fazer o reconhecimento do local. Mas, hoje não resistimos e fomos direto curtir a “nossa praia”. Pipa tem várias praias incríveis, mas a Praia do Amor é a mais perto da nossa nova casa. E ela é linda! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Pra chegar na Praia do Amor tem que encarar muuuuitos degraus, mas vale à pena! Passa pro lado pra ver a foto do visual da praia e da escadaria pra chegar lá. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Na maré baixa, a praia fica com várias pedras aparentes e na alta enche de surfistas. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Descolamos com a dona da casa essa mochilinha pra levar a Beatriz. No começo ela estranhou, depois curtiu a caminhada com o vento no rosto. Mas, na hora da soneca, mãe e filha sentiram falta do aconchego do canguru. 🤷🏻‍♀️😍 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #pipa #praiadoamor #riograndedonorte #nordestebrasileiro #nomadesdigitais #familianomade #nomadismodigital #digitalnomad #digitalnomadfamily #nomadlist #viajandocomcrianca #travellingwithkids #travellingfamily #minimalismo #vidasimples #slowtravel #mochilaoemfamilia #backpackingwithkids #mochilandopelomundo #tresmochilaspelomundo

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Ficamos hospedados em um loft muito gostoso, há uns 15 minutos caminhando do centrinho. O centrinho de Pipa é até charmoso, mas convive com um trânsito de carros que quebra um pouco a tranquilidade. Dito isso, é cheio de restaurantes com vistas lindas, lojinhas e bares bacanas. Concentra as pessoas e a diversão de noite. E conta com obras do artista Rafa Santos por toda a parte. Aliás, não só o centro, mas todos os cantos de Pipa.

A Bia chegava super cansada de tanto correr e escalar escadas na praia o dia inteiro e desabava depois do banho. Em geral, ou a gente cozinhava ou pedia alguma coisa. Os dias foram passando sem pressa e, no final, Pipa deixou uma saudade enorme.

Falésias entre a Praia do Amor e a Praia da Pipa

Mas, a vida continua e a viagem continua. Nosso roteiro continuou descendo de carro pelo Nordeste. Próxima parada: João Pessoa.

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As belezas de Natal

São muitas as belezas de Natal, uma das capitais mais agradáveis do Nordeste. Boas praias, boa infraestrutura, passeios incríveis e uma infinidade de opções a uma curta distância da cidade.

Nossas três mochilas aportaram no Rio Grande do Norte após uma temporada na Bahia!

Avaliando de fora, pode parecer um pouco sem sentido sair de Trancoso e saltar tantos estados indo diretamente para Natal. Mas tivemos um excelente motivo e é difícil que você não concorde com a ideia básica por trás dessa escolha.

Bebê na Praia de Ponta Negra Natal RN

Em busca do sol

Caímos na vida nômade em junho, no inverno. Passamos os primeiros dias pelo Rio e Minas Gerais. Por sinal, é uma época muito boa para viajar pelo Sudeste, com dias de sol quase garantidos. Nas montanhas um friozinho gostoso e na praia temperaturas mais amenas, ótimo para a Bia que ainda não tinha completado um ano. Embora nas cidades maiores o clima seco somado à poluição podem incomodar.

Passamos o mês de agosto no sul da Bahia. Mais ao norte do que isso, a chuva é intensa pelo menos até o litoral pernambucano, inclusive em setembro. É o inverno nordestino, em que a temperatura não cai tanto, mas a água sim.

Como estamos em busca do sol, avaliamos bem como escapar dessa cilada e constatamos que no Rio Grande do Norte a coisa já começava a melhorar. O clima é sempre um fator decisivo na hora de definir nosso roteiro. Uma referência boa e simples (embora um pouco imprecisa) é o praiômetro do site Viagem na Viagem. É um bom ponto de partida.

Então, pegamos um voo para Natal (com direito a uma escala muito bem aproveitada em Salvador) e alugamos um carro para descer calmamente e chegar em Recife já quase em outubro.

Passar uma tarde em Itapuã

O que fazer em Natal

As belezas de Natal merecem uma visita de pelo menos 2 a 3 dias. A praia de Ponta Negra, as Dunas de Genipabu e o Forte dos Reis Magos não podem ficar de fora da sua visita. Isso sem falar na possibilidade de explorar outras cidades do litoral do Rio Grande do Norte. São Miguel do Gostoso e Pipa, por exemplo, se justificam por si só e vamos tratá-los como destinos à parte.

Aqui, um relato do que entendemos ser o melhor a fazer em Natal, com base nos 10 dias que ficamos por lá.

Praias de Natal

Ponta Negra: A praia de Ponta Negra é o cartão postal e a melhor praia de Natal. É lá que está o icônico Morro do Careca, uma imensa duna com mais de 100m de altura. Há um bom tempo que não é mais permitido subir na duna, mas é possível fazer um passeio de “jangalancha” (R$65), contornando o morro até a praia de Alagamar. Com sorte, você verá golfinhos e tartarugas no caminho. Nesse canto da praia, o mar é mais calmo e a areia mais agitada, com bares que ficam cheios nos finais de semana.

Caminhando na direção oposta, a areia fica cada vez mais tranquila, mas o mar cada vez mais bravo. Então, difícil dizer qual o pedaço mais “família”. Nós reservamos um apartamento no bairro da Ponta Negra e, até por isso, fomos várias vezes na praia e curtimos diferentes trechos dela. A maior parte da orla conta com infraestrutura de guarda-sóis e cadeiras, pelas quais se cobra para usar (R$10 a R$20 por tudo). Confirme o preço antes e negocie uma conversão para consumação.

Atenção que a qualidade do serviço varia muito. Em algumas barracas a comida deixava muito a desejar e a conta nem sempre bateu com nosso consumo real. Por outro lado, em quiosques diferentes comemos bem e fomos bem atendidos. O bairro ainda concentra restaurantes, bares e a vida noturna potiguar. Certamente é a nossa recomendação de região para se hospedar.

Praias do centro: No centro de Natal estão as praias mais urbanas, próximas a hotéis que, em geral, fazem mais sentido para quem está na cidade a trabalho. Há relatos de serem menos seguras e menos limpas, em particular a Praia do Meio. Nós não chegamos a estender nossas cangas por lá, mas passamos para conhecer. As praias dos Artistas e do Forte são bonitas, sendo que nesta última o destaque está em conciliar com uma visita ao Forte dos Reis Magos, de preferência com a maré baixa.

Belezas de Natal: praias do centro

Atrações de Natal

Forte dos Reis Magos: A visita ao Forte dos Reis Magos é um programa que vale à pena fazer. A construção tem um formato que lembra uma estrela e é de 1599. Infelizmente estava fechado para “restauração” quando fomos. Coloco aspas na palavra “restauração” porque não há sinal de obra em andamento e provavelmente ficará assim por mais algum tempo… E ainda assim o passeio se justifica. Isso porque sua localização é simplesmente incrível!

A chegada é impactante. A bela ponte Newton Navarro que atravessa o Rio Potengi oferece boas-vindas de respeito. No caminho, manguezais e piscinas naturais com água super transparente. E o forte propriamente dito está em uma ponta da praia protegida por recifes, emoldurado pelo mar de um verde de encher os olhos. Uma pena não ser possível entrar, mas suas seculares muralhas podem também ser apreciadas pelo lado de fora.

Dunas de Genipabu: as dunas de Genipabu são provavelmente a atração mais conhecida de Natal. O visual é incrível. O branco das dunas, o verde das matas e do mar e o capricho de uma lagoa linda são memoráveis. É possível até andar de dromedário, para quem curte um passeio, no mínimo, exótico. Mas a fama de lá se deve mesmo ao passeio de buggy, com as tradicionais opções “com ou sem emoção”. Se sua escolha for “com”, prepara-se: é emoção pra valer!

Cajueiro de Pirangi: o maior cajueiro do mundo! Localizado na praia de Pirangi, essa árvore descomunal se parece mais com uma pequena floresta. Em função de algum tipo de anomalia genética, seus galhos crescem indefinidamente, tocam o solo e criam novas raízes. A árvore, que no passado foi podada diversas vezes (hoje é proibido fazer isso), já ocupa uma área de 8.500 m2 e continua a ganhar terreno sobre as ruas do entorno.

Toda a estrutura continua a depender do seu tronco central, que tem estimados 120 anos de idade. Aliás, esta é outra curiosidade. Enquanto um cajueiro normal dá frutos aproximadamente até os 40 anos, o Cajueiro de Pirangi continua a produzir cerca de 2,5 toneladas de caju (entre 70.000 e 80.000 unidades) a cada safra. É a mais única das belezas de Natal. Imperdível!

Parques: Natal conta ainda com alguns parques que merecem destaque. O mais conhecido é o Parque das Dunas, que fica entre o centro e a praia de Ponta Negra. Muito bom para ir com crianças – a Bia adorou – e para correr e fazer trilhas. Outra opção, que na verdade não chegamos a ir e até ouvimos algumas reclamações com relação à infraestrutura, é o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte. Válido para quem tem mais tempo e quer realmente explorar tudo o que a cidade tem a oferecer.

Explorando a região: bate e volta a partir de Natal

Como já comentei, esse post é para falar do que fazer em Natal e não no estado como um todo. Mas isso não significa que a cidade não possa ser usada como base para explorar a região. Alguns lugares não deveriam ficar de fora dos seus planos:

Parrachos de Maracajaú: a 1h30 de Natal no sentido norte, está ali um pedaço do Caribe no Brasil. Na maré baixa se formam piscinas naturais a 7km da costa com água cristalina e muitos peixinhos para serem vistos. Os passeios de catamarã podem incomodar quem não curte muito o clima de “excursão”, mas o apelo de um mar estilo caribe não deixa de ser tentador, certo?

Lagoas de Nísia Floresta: Nísia Floresta é uma cidade vizinha de Natal e é onde estão, dentre várias lagoas, as mais conhecidas Pitangui e Jacumã. É lugar para relaxar deitado na rede com a bunda na água. Um clássico potiguar! Aliás, uma boa alternativa é incluir no mesmo dia o Cajueiro de Pirangi, uma passada nas praias de Tabatinga e Cumurupim (com piscinas naturais ideias para crianças) e fechar relaxadão em uma dessas lagoas. Programão!

A vida como ela é

Ficamos 10 dias em Natal. É bastante tempo. Mas, para falar a verdade, alguns dos passeios que recomendamos aí, nós não fizemos. Pelo menos, não dessa vez. Eu já estive em Natal anos atrás e fiz um roteiro completar ao desta temporada.

Futebol no Pôr do Sol na praia de Ponta Negra, Natal - RN

Não rodamos de buggy pelas Dunas de Genipabu porque achamos arriscado ir com a Bia tão pequena. Mais do que isso, o giro é longo e seria cansativo pra ela. Também não pudemos curtir as praias de Tabatinga e Cumurupim como queríamos. Fomos para o Rio Grande do Norte em busca do sol, mas nesse dia em particular, choveu forte.

Além disso, ficamos alguns dias de molho em casa ou no máximo demos uma passada na praia de Ponta de Negra. A Bia teve uma alergia e ficou doentinha. Nada sério e pouco depois ela já estava recuperada. Mas escolhemos dar a ela o tempo que fosse necessário para descansar. São coisas da vida.

Sabemos que imprevistos em uma viagem de férias podem ser muito frustantes. É quase desesperador perder o precioso tempo disponível para viajar com problemas de saúde ou tempo ruim.

Mas viajar para nós deixou de ser um momento e virou rotina. Não nos deixamos abater pelo “tempo perdido”. Sabemos que a vida continua e, mais ainda, que a viagem continua. Então, ficamos em casa sem nenhum ressentimento. Logo adiante, nos esperava Pipa e, lá, a saúde da Beatriz estava perfeita e o sol voltou a brilhar!

Vista Praia do Amor do Chapadão em Pipa - RN

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100 dias na estrada!

100 dias de vida nômade!

100 dias que deixamos para trás a rotina e abraçamos o inesperado.

100 dias que trocamos as paredes do escritório pela imensidão do mundo. 

100 dias em que assumimos a maternidade/paternidade em tempo integral. E descobrimos o trabalho que isso dá 🙄 e a alegria que isso traz 😍.

100 dias de paisagens incríveis.

100 dias de muito chinelo e pouco sapato. Muito short e pouca calça. 

100 dias de descobertas e mais descobertas, como nossa pequena se desenvolveu! 😱🥰

100 dias da realização de um sonho.

100 dias de uma nova vida. E só está começando.

Pôr do Sol em Timbau do Sul Pipa Rio Grande do Norte

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O charme de Trancoso

Quem não ficar encantado com o charme de Trancoso bom sujeito não é. Ou é ruim da cabeça ou doente do pé! Esse distrito de Porto Seguro é um destes lugares arrebatadores. É um pecado não ir lá conhecer e, para quem já foi, impossível não querer voltar!

Praias maravilhosas, mirantes com vistas incríveis, além de excelentes pousadas, bares e restaurantes. Provavelmente não existe no Brasil outra praça que combine simplicidade e elegância como o Quadrado. E poucos lugares oferecem oportunidades de caminhadas tão inesquecíveis quanto este trecho do litoral baiano.

Bebê no Quadrado de Trancoso

O que fazer em Trancoso

Quer uma receita para se apaixonar por Trancoso em apenas 15 minutos? Circule pelo Quadrado. A praça está caprichosamente localizada no alto de uma falésia, com uma vista para o rio e para a praia muitos metros abaixo que é de tirar o fôlego.

Vista do mirante do Quadrado em Trancoso

Um gramado verdinho com um campinho de futebol e uma simpaticíssima igrejinha do século XVIII, ladeada por singelas casinhas coloridas bem cuidadas em cada detalhe. Enormes árvores fornecem a sombra necessária para proteger do calor da Bahia nas mesinhas decoradas com enorme bom gosto. Poesia pura!

É o local para onde todos gravitam, principalmente no fim de tarde e de noite. E vale à pena ir nos dois horários. De dia para curtir a vista e o sol tingindo a igrejinha de dourado. De noite, para curtir a iluminação elegante dos restaurantes e lojinhas, quando tudo ganha um aspecto mais sofisticado.

Litoral sul

A vista a partir do mirante do Quadrado já revela o tamanho da beleza que te espera quando descer para as praias. O Rio Trancoso divide as praias dos Coqueiros e dos Nativos, as mais badaladas e frequentadas pelos turistas.

Cheio de curvas e bancos de areia, a foz do rio é um dos maiores charmes de Trancoso. Atenção: não deixe a tentação das barracas da orla te seduzir (pelo menos, não tão rápido). Por melhor que possa ser a infraestrutura de algumas delas, assegure-se de caminhar e desbravar a região. Depois de se esbaldar com o espetáculo da natureza, aí sim você está liberado para curtir a vida estirado em uma espreguiçadeira!

Seguindo para a direita – sentido sul – virão as praias do Rio Verde e de Itapororoca. Se quiser um trecho realmente deserto, continue caminhando pelas praias de Patimirim, Ponta de Itaquena e Barra do Rio dos Frades. Uma mais bonita que a outra!

Continuando nessa direção, após o Rio dos Frades, vêm as praias do Outeiro, dos Amores e, enfim, do Espelho. Se não é tão simples assim chegar nelas a pé, vale incluir o passeio na sua programação seja de van, táxi ou no seu próprio carro.

Litoral norte

No sentido oposto, em direção a Arraial d’Ajuda, a Praia do Rio da Barra é lindíssima. Na sequência, estão as praias das Tartarugas, do Taípe e da Pitinga. As falésias vão te fazer companhia e encher os olhos. Chegando em Arraial, é possível voltar de van. Uma caminhada longa, mas recompensadora.

Seja na direção norte ou sul, vá na maré baixa. Não apenas porque na maré alta os rios sobem e poderão tornar sua passagem impraticável, mas também porque é mais fácil caminhar na areia dura e fica tudo muito mais bonito.

Homem atravessando o rio Trancoso
Atravessando o Rio Trancoso

De recanto secreto a destino badalado

A primeira vez que fui a Trancoso foi há muitos anos. Muitos mesmo, se não me engano foi em 1993! Fui caminhando com meus pais a partir de Arraial d’Ajuda. Desde cedo, a gente se metia nessas caminhadas de muitas horas pela praia e tenho lembranças deliciosas desse tempo.

Quando chegamos lá, encontramos algumas mulheres fazendo topless. Para o pré-adolescente que eu era, a cena foi, digamos, memorável. Passadas mais de duas décadas e meia, Trancoso se transformou em um destino super conhecido e o turismo cresceu muito. O topless hoje já não é mais tão comum como era nessa época. Afinal, o típico conservadorismo brasileiro não lida bem com isso.

Vieram os ricos e famosos, surgiram as pousadas bacanas no Quadrado e os bares sofisticados na orla, nos quais se pode pagar para usar uma estrutura de primeira (taxas de consumação de até R$200). Elba Ramalho, que desde os anos 1980 chama a cidade de lar, ganhou a companhia de muita gente conhecida e se tornou uma referência nos verões de Trancoso com seu projeto Elba Convida.

Trancoso se tornou um destino chique, frequentado por um público elegante e descolado. Mas se você não é rico, famoso, nem tão elegante e descolado assim, não se preocupe. Há espaço para todo mundo e todos convivem muito bem! Nós mesmos não nos encaixamos nessas categorias e ficamos completamente à vontade por lá.

Ao mesmo tempo, muito coisa foi conservada. Por sinal, essa é uma de suas melhores características e o que garante o charme de Trancoso. As praias, protegidas pelos paredões das falésias, estão quase intocadas. A natureza ainda reina absoluta com seus coqueiros, manguezais, rios e longas faixas de areia.

A vila também manteve sua originalidade, pelo menos na região do Quadrado. Se já não há mais nativos vivendo nas casinhas coloridas, as casinhas em si ainda estão lá. Viraram pousadas, restaurantes, lojas de grife ou ateliês. Mas mantiveram a personalidade de quando pertenciam às pessoas simples da região (e mais tarde aos hippies que chegaram para morar por ali). Some a isso o toque de artistas locais, como do hoje prestigiado Valquito Lima, e pronto: não falta mais nada para desfrutar de alguns dias perfeitos.

Aliás, as histórias de muitos desses moradores estão registradas em plaquinhas colocadas na frente das casas em que viviam. Uma homenagem bonita aos antigos proprietários. Além disso, o Quadrado segue sendo frequentado por quem vive em Trancoso. Diariamente, haverá crianças brincando depois da escola, adultos jogando bola e cavalos pastando na grama da praça.

Essa combinação de paisagens cinematográficas com uma sofisticação rústica é que torna esse lugar único.

Quanto tempo ficar em Trancoso?

É possível visitar Trancoso em um dia, fazendo um bate-e-volta de Porto Seguro ou Arraial d’Ajuda. Dessa forma, você vai conseguir conhecer o Quadrado, ver a incrível vista do seu mirante e até aproveitar um pouco da praia.

Mas não vai ser suficiente para entrar no ritmo preguiçoso e saboroso da vila.

Trancoso merece ser apreciada com calma. Idealmente, no mínimo três ou quatro noites. Um dia para caminhar na direção sul, outro para seguir rumo ao norte e um terceiro para curtir a badalação das praias dos Coqueiros e dos Nativos. E, com isso, mais tempo para passar o fim de tarde no Quadrado.

E se eu tiver mais tempo do que isso?

Sorte a sua! Nós ficamos uma semana e gostaríamos de ter esticado muito mais. Aliás, foi um aprendizado. Comprar passagens aéreas com antecedência traz economias, mas, por outro lado, reduz nossa flexibilidade para nos permitir ir ficando quando um lugar se mostra irresistível.

Mãe e filha no mirante do Quadrado em Trancoso

Com o tempo do seu lado, é possível aproveitar para conhecer outros lugares da região. Entre os mais recomendados, as Praias do Espelho e de Caraíva. Nós falamos sobre estes lugares neste outro post (clique aqui). Ou ainda outras opções da Costa do Descobrimento, como Arraial d’Ajuda, Cabrália e a terra do axé Porto Seguro.

O que não falta são atrativos para ir ficando pelo sul da Bahia! Mas nossa viagem seguiu em frente. Em busca do sol, que nessa época se esconde com muita frequência em boa parte da Bahia até Pernambuco, demos um salto direto para o Rio Grande do Norte. Em breve contaremos esta e outras histórias.

Mulher com bebê no Morro do Careca em Natal

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O que fazer em Caraíva

Caraíva é um destino muito especial do litoral brasileiro, uma vila super charmosa em meio a uma natureza generosa. Mas o que fazer em Caraíva? Como chegar nesse canto distante do sul da Bahia? Quando ir? Nesse post iremos direto ao ponto e passaremos dicas práticas para explorar o melhor de Caraíva.

Se você ainda não sabe se vale ou não à pena passar alguns dias por lá e quiser ler um relato mais completo sobre as experiências que esse lugar incrível oferece, não deixe de ler esse outro post: Sete motivos para ir para Caraíva.

E para quem já leu esse outro post, basta pular a primeira parte deste texto.

O que fazer em Caraíva: não ver as horas passar

O que fazer em Caraíva: um resumo

O rio, a vila e as praias do entorno: A vila é uma delícia, com um astral super relaxado e ruas de areia onde não chegam carros nem motos. Tem vários restaurantes charmosos com vista para o rio, bares de frente para o mar, lojinhas e ateliês. O Rio Caraíva é lindo, perfeito para nadar e curtir o pôr do sol. E as praias de Caraíva e da Barra estão a poucos minutos de qualquer ponto da vila.

Caminhadas: Para quem quiser caminhar mais, existem quilômetros de praias desertas. Até a Praia do Satu leva 1h andando e as famosas praias do Espelho e de Curuípe estão uma 1h30 mais pra frente. São cerca de 10km em meio a paisagens incríveis. Também podem ser acessadas de táxi (R$250, incluindo o tempo de espera para curtir as praias), no seu próprio carro (cerca de 45 minutos ou bem mais, dependendo do estado da estrada) ou ainda de ônibus.

Passeios: Passeios de buggy são amplamente ofertados perto da igrejinha ou após 5 minutos de caminhada pela Praia de Caraíva. Eles levam à Ponta do Corumbau. São R$180 por buggy + R$10 por pessoa para travessia de canoa do rio na chegada à Ponta do Corumbau.

Outra opção de passeio, é fretar um barquinho (R$50 por pessoa) para te levar até a Prainha – uma faixa de areia branca poucos quilômetros subindo o Rio Caraíva – e voltar para a vila flutuando em uma boia, aproveitando a correnteza do rio na maré vazante. Aliás, vale conferir a Prainha mesmo que seja apenas para curtir esse visual diferente do rio. Vá a pé se não quiser gastar nada, mas atenção que não há estrutura lá. Então, leve água e alguma coisa para comer.

A noite: Por fim, não dá para fazer um resumo do que fazer em Caraíva sem mencionar a noite animada pelo forró. Depois de começar com uns drinks no Beco da Lua, os forrós do Pelé e o Ouriço (funcionando alternadamente) levam a animação até o sol nascer.

Como chegar em Caraíva

Para quem quer ir no próprio carro, primeiro um alerta: a estrada poderá ser um tanto cruel com ele. Considere isso! Já fui de carro no passado e acabei tendo que providenciar um reboque até Porto Seguro. De qualquer forma, em Caraíva mesmo seu carro não entra.

Se ainda assim esse for seu plano, saiba que a maioria das pessoas irá até Nova Caraíva onde o carro terá que ficar estacionado (diárias entre R$20 e R$30). Também é possível chegar pelo “sul” e deixar o carro na Aldeia Pataxó, enfrentando ainda mais estrada de terra e pagando diárias parecidas. Não recomendamos.

Avião + Transfer

Em Porto Seguro, fica o aeroporto mais próximo de Caraíva. De lá existem dois caminhos. Via Arraial d’Ajuda, pegando a balsa em Porto Seguro, são pouco mais de 60km (atenção: na alta temporada a fila da balsa pode tornar esse trajeto bem mais demorado!) ou pouco mais de 100km pela BA-001. Essa segunda opção é, em geral, a mais rápida.

Do aeroporto até Caraíva, existe a opção de reservar um táxi (R$350-R$450) e o trajeto pode levar de 1h45 a 3hs, dependendo das condições da estrada. Melhor agendar antes com alguém de Caraíva (abaixo passamos duas alternativas). O primeiro trecho é asfaltado, mas é na parte de terra que a coisa complica. Na época de chuvas, pode acontecer de só veículos 4×4 conseguirem passar em alguns pontos. E podem se formar filas de carros que tornam a viagem bem mais longa.

  • Transfer para Caraíva: escolha um carro adequado (que seja alto!) e considere a quantidade de pessoas e bagagem. Negocie o preço e vá com mais conforto. Nós tratamos com os dois contatos abaixo, mas existem várias outras opções de táxi por lá. Chico: (73) 9818-4514 e Nandy (73) 9992-0281.

Avião + Ônibus

Outra opção, é ir de ônibus. Para isso, ainda assim você terá que pegar um táxi do aeroporto até a balsa e alguns taxistas de Porto Seguro chegam a cobrar o abusivo preço de R$90 por esse trajeto de apenas 4km – confirme o preço antes!

A balsa custa de R$3 a R$5 e te deixará em Arraial d’Ajuda. Sai a cada 30 minutos e a travessia dura cerca de 10 minutos. A partir dali, os ônibus da viação Águia Azul partem diariamente às 7h e às 15hs (linha “Balsa-Caraíva”) e cobram R$22. Pague no ponto de embarque ou diretamente dentro do ônibus. Em geral, são 3h chacoalhando até lá, mas pode levar até 6hs.

Para retornar, os horários dos ônibus no sentido Caraíva-Balsa são 6h20 e 16hs.

O que fazer em Caraíva: Travessia de Cano no Rio Caraíva

Agora falta pouco!

O táxi, o ônibus ou o carro te levarão até Nova Caraíva. Em Caraíva mesmo, lembrando, não circulam carros, nem motos. Uma gostosa travessia de canoa (R$5 por pessoa) te deixará no paraíso. Se precisar de ajuda com as bagagens até sua pousada ou casa, charretes circulam pelas ruas de areia cobrando entre R$30 (até 20h) e R$40 na “bandeira 2”.

Quando ir para Caraíva

A primeira coisa a se perguntar é “o que eu quero encontrar ao chegar lá: praias vazias e tranquilidade ou clima de azaração e noites animadas?”.

Se o que você quer é tranquilidade, a melhor época do ano para ir para Caraíva é de outubro até a primeira quinzena de dezembro. Tem muito sol, mas não é alta temporada. Ainda assim é possível curtir um forrozinho nos finais de semana.

Se é balbúrdia o que você quer fazer em Caraíva, mire na alta temporada. Réveillon e carnaval são os picos de movimento, mas durante todo o mês de janeiro a festa rola dia e noite. Prepare o bolso e vá animado!

Entre maio e julho chove mais. Nós fomos em agosto e ainda chovia um pouco mais que o desejado, além de fazer alguma coisa parecida com frio de noite (para os padrões da Bahia). A vantagem é que dá para gastar menos, principalmente com hospedagem nesse período.

Praia do Satu vazia em Caraíva na baixa temporada
Praia do Satu inteirinha só pra gente

Custos com hospedagem e alimentação em Caraíva

Caraíva não é um destino barato. Você pode até se esforçar para gastar pouco, mas o acesso é difícil, a concorrência limitada e muitas vezes os preços são quase que tabelados. Isso vale para os passeios, para as charretes, para as compras nos mercados e lojinhas e vale também para hospedagem e alimentação.

Dito isso, existem opções para diferentes tamanhos de bolso. Para se hospedar, a oferta vai desde camping com estrutura razoável (banheiros e cozinha ok) até pousadas mais caras com boas piscinas de frente para o mar. Em geral, são acomodações simples, mas confortáveis. Mesmo no nível mais alto, prevalece o estilo rústico-chique. O que, aliás, combina bastante com a atmosfera do lugar.

Estando na vila de Caraíva, é difícil ficar mal localizado, uma vez que tudo é relativamente perto. Mas alguns pontos merecem sua atenção, principalmente na alta temporada:

Primeiro: próximo ao rio, o barulho do forró madrugada a dentro pode incomodar. Segundo, a Vila de Caraíva é pequena, mas ficar na Aldeia Pataxó ou mais distante ainda na praia já pode te deixar a um distância desconfortável. Menos agradável ainda é ficar em Nova Caraíva, do outro lado do rio. Lá, não tem o astral incrível da vila e o trajeto para a praia, os restaurantes, o forró etc. sempre passará por uma caminhada + a travessia de canoa.

Nós alugamos um casinha. De longe, a melhor alternativa para o nosso caso. Um lugar delicioso, com cozinha para prepararmos a comida da Bia e uma área externa para ela brincar à vontade.

Na hora de comer, a conta para dois em um restaurante ao lado do rio pode passar fácil dos R$200. Para quem curte cozinhar, a oferta de ingredientes nos mercadinhos é super limitada e o preço também é alto. A forma de fugir disso é aproveitar as opções de pratos executivos, que, via de regra, só são oferecidos durante a tarde. De noite, querendo economizar, vá de tapioca!

Algumas referências:

Cerveja Heineken 600ml: R$17 a R$20, a long neck sai por R$12.

Tira-gosto para dois na praia: R$60 a R$90

Pastel de arraia (uma pessoa come dois sem dificuldades): R$10 a R$12 cada

Prato para dois em um restaurante a beira-rio: R$120 a R$250

Pratos executivos: R$20 a R$40.

Tapioca da Paty (vale por uma refeição): R$20

Alimentação em Caraíva
Os pratos executivos, como esse do restaurante Beira-Rio, são uma forma de comer bem a uma preço justo em Caraíva

Caraíva com crianças

Caraíva é um lugar ótimo para levar os pequenos. As ruas de areia são a alegria da criançada. O baldinho e a pazinha não saíam da mochila. Afinal, não é em todo lugar que mesmo nos restaurantes seu filho pode se sentar no chão e construir seus castelinhos enquanto você tira a folga para comer com tranquilidade.

Recomenda-se apenas evitar essa farra nas ruas principais onde passam as charretes. Os burros de carga (que sofrem um bocado, coitados) usam uma espécie de fralda, mas não dá pra confiar, né? Então, podem haver “surpresinhas” no caminho.

Outra super atração é o Rio Caraíva na Praia da Barra. As crianças amam poder ficar mais soltas, sem os perigos do mar (embora a correnteza possa também ser traiçoeira). Na maré baixa, então, é imperdível! A água fica calminha e sem o sal que tanto incomoda os olhos de quem ainda é muito pequeno, como a Bia que acabou de fazer um aninho.

Caraíva com crianças
Um dos amiguinhos que a Bia fez em Caraíva já sabia falar, mas apenas na língua Pataxó

Outro ponto alto é que, como na vila existe um clima relaxado e de grande cordialidade entre as pessoas, a sensação de segurança é imensa. As crianças são tratadas com carinho por todos. Na verdade, lá, qualquer ser vivo é tratado com respeito (os burros de carga nem tanto) e quem não o fizer é logo repreendido por quem está em volta.

Mas, alguns cuidados precisam ser observados. Vá preparado e não espere encontrar tudo o que o seu filho possa vir a precisar nos limitadíssimos mercadinhos e na farmácia local. Chupeta, mamadeira ou lenços umedecidos por exemplo, não existem para vender. Leve também os remédios básicos, a fórmula, protetor e repelente para crianças. Na prática, não conte com nada disso disponível por lá.

Carrinhos de bebê para circular na areia fofa das ruas, só se for bem off road mesmo. Nós usamos muito o canguru, bem mais adequado para esse contexto.

Existem hortifrutis, mas a oferta é limitada. Para preparar a comida da Bia, tivemos que nos virar com o que havia disponível. Nossa filha se cansou de repetir as mesmas frutas e legumes ao longo dos 20 dias que passamos em Caraíva, mas sobrevivemos! Também é possível encontrar as papinhas industrializadas, embora custassem o dobro do preço do que seria em uma cidade maior.

Por fim, vale lembrar que Caraíva está distante do hospital mais próximo em Porto Seguro ou mesmo de um posto de saúde melhor em Trancoso. Se a situação realmente exigir, é possível fretar um helicóptero para uma emergência por algo entre R$2.000 e R$3.000.

Mas, vamos deixar esse assunto de emergências de lado. O sul da Bahia é um paraíso é existem muitas coisas para uma criança ou um bebê fazer em Caraíva sem correr perigo nenhum. Além, é claro, do risco do seu pequeno chorar por não querer ir embora!

O que fazer em Caraíva com crianças

tresmochilaspelomundo

Sete motivos para ir para Caraíva

Caraíva é um destino único no litoral brasileiro (para alguns, o melhor!) e não faltam motivos para ir até lá.

Existem aqueles que vão pelo clima relaxado e sem frescuras da vila, com ruas de areia onde só se circula a pé ou de charrete. Para outros, o ponto alto é a badalação e a noite animada pelo forró. Ninguém se esquece do pôr do sol nos restaurantes de frente para o rio. Todos se encantam com as belezas naturais e com a receptividade dos moradoras da vila: baianos e de tantos outros lugares.

São muitos os que chegaram a passeio e acabaram fazendo de Caraíva seu lar. O povoado é uma mistura de índios pataxós, baianos, paulistas, mineiros, gaúchos, gringos… enfim, gente de todos os cantos.

Isso mostra como é fácil listar motivos para ir para Caraíva. Difícil é encontrar uma razão para ir embora depois.

Eu amo Caraíva

Motivo 1. O charme da vila

Estive em Caraíva duas vezes no começo dos anos 2000. A luz elétrica ainda não chegava até a vila e algumas pessoas até preferiam que continuasse assim. Tinham medo de que o “progresso” viesse para matar a personalidade do lugar.

Pois veio a luz, algumas pousadas mais sofisticadas, muito mais gente apareceu, mas Caraíva sobreviveu com seu charme intacto! Protegida em uma espécie de península, com o mar, o rio e a tribo Pataxó escoltando seus lados e deixando seu conjunto de poucos quarteirões quase que parado no tempo.

Sorria você está em Caraíva, Caraíva Republic
Sorria você está em Caraíva

Sinal de celular? Pega Vivo em pouquíssimos lugares. Nos restaurantes e pousadas tem wi-fi. Mas não se apegue a isso! Parte do prazer de Caraíva é se desconectar do mundo. E isso começa já na clássica chegada à vila de canoa.

Nós chegamos de noite e, para quem vem pela estrada de Porto Seguro (a maioria das pessoas), o carro só vai até o outro lado do rio. O trajeto final é feito de canoa (R$5). Era lua nova e a escuridão era completa enquanto a gente cortava lentamente a água. Seguimos em silêncio, embaixo de um céu de um bilhão de estrelas.

Do outro lado, as ruas são de areia, arborizadas. Não há iluminação pública e, acreditem, isso é uma super qualidade! Um astral incrível. Tudo simples, mas de certa forma aconchegante. Você logo se sente em casa. Estão todos de chinelos ou descalços, caminham sem pressa e se cumprimentam quando cruzam.

Os caminhos pela vila

Motivos para ir a Caraíva: o charme da vila

É fácil encontrar seu caminho pela vila. Para um lado, o mar e os bares que concentram o público durante o dia. Para o outro lado, o rio, com restaurantes, barraquinhas e forró. É para onde as pessoas vão no fim da tarde e voltam para a noite que segue madrugada a dentro.

No coração do povoado, uma linda igrejinha e um campo de futebol com casinhas charmosas em volta. E logo se chega aos limites da tribo Pataxó. Onde, além dos pataxós de fato, vivem muitos dos que se mudam para a cidade.

É nos detalhes que se percebe como as pessoas que vivem em Caraíva gostam de lá e o carinho com que cuidam do povoado. Jardins, plaquinhas, enfeites. O charme da vila de Caraíva está por toda parte.

Duca é uma artista plástica que mora em Caraíva e ela certamente fará parte da sua experiência lá. A obra dela está em murais, janelas, orelhões antigos e todo tipo de “tela”. Está nas pousadas, nas ruas e até na casa em que ficamos.

Motivo 2. As praias de Caraíva

Uma vila charmosa faz toda a diferença, mas sejamos sinceros, ninguém encara várias horas de viagem para chegar ao sul da Bahia pensando só na vibe do povoado, certo?

Quem vai para o sul da Bahia quer praia! E Caraíva tem praias lindas e está próxima de outras ainda mais espetaculares. Mas, vamos por partes. O motivo número 2 são as praias que estão logo ali, a menos de 10 minutos de praticamente qualquer ponto da vila.

Motivos para ir para Caraíva: as praias de Caraíva

Arco íris na praia de Caraíva
Não é todo dia que se tem um arco-íris assim pra chamar de seu

A praia de Caraíva tem uma faixa larga de areia (bom para a Bia correr à vontade) e mar bravo (aí já atrapalhava para ela entrar). Logo no começo, existem dois bares que oferecem uma boa estrutura, ótima atmosfera e boas opções para beber e comer. Nós viramos fregueses e fizemos amigos no Bar do Coco. E, bem ao lado, o Bar da Praia tem uma boa piscina que, pagando, pode usar.

Esse pedaço fica agitado na alta temporada, mas como estivemos em agosto, estavam bem tranquilos. De qualquer forma, basta caminhar para a direita para encontrar outros bares e pousadas com estrutura aberta ao público, trechos de praia deserta e, na maré baixa, lindas piscinas naturais para curtir sem se preocupar com as ondas.

Seguindo na direção oposta, logo se chega na praia da Barra. Um braço de areia que tem o mar de um lado e o rio Caraíva do outro. É o destino certo para o fim da tarde com um pôr do sol inesquecível. Mas esse canto especial da Bahia fica lindo o dia inteiro.

Praia da Barra, Rio Caraíva, Caraíva-BA

Praia da Barra Rio Caraíva
Foi por momentos como esse que embarcamos nesse estilo de vida.

Quando a maré está subindo ou descendo, o rio forma uma correnteza forte. Mas nos intervalos, principalmente na maré baixa, é irresistível para um mergulho com a filhota no colo.

Existem umas barraquinhas simpáticas e bem montadas que oferecem sombra, cadeiras e mesas na Praia da Barra. Mas não recomendamos comer por ali. Melhor segurar um pouco e aproveitar um pastel no Boteco do Pará, uma esfirra ou uma tapioca super recheada na volta pra vila.

Barracas Praia da Barra, Caraíva, Bahia

Motivo 3. As praias da região

As praias de Caraíva são lindas, mas o motivo 3 dependerá de você ir um pouco mais longe e explorar o que a região tem a oferecer. Não importa se o forró seguiu até o amanhecer, pule da cama e tome o rumo sul ou norte pela praia. Os dois lados te levarão ao paraíso.

Uma caminhada clássica, eu diria quase obrigatória, é até a Praia do Satu. Atravesse o rio em uma canoa ou, se a maré permitir, atravesse pela água mesmo. E siga caminhando por uma sequência de praias maravilhosas e praticamente desertas.

Cerca de 4km (mais ou menos 1h caminhando) depois, você chegará à Praia do Satu. Ali, começam a se formar falésias de um lado e piscinas naturais do outro. Um espetáculo. Além disso, ainda existem lagoas em meio à mata bem ao lado da praia. Logo no começo, dois ou três barzinhos podem salvar quem quiser beber e comer alguma coisa.

Olho nas marés

Programe-se para estar NAS PRAIAS NA maré baixa. Além de ser muito mais bonito, é muito melhor para caminhar.
A CADA dia as marés ocorrem em horários diferentes, sempre cerca de 48 minutos mais tarde que o dia anterior. Confira a tábua de marés e TENTE ENCAIXAR SUAS CAMINHADAS ENTRE 1H30 ANTES E 1H30 APÓS O PICO DA MARÉ BAIXA.

Praia do Satu e Praia do Espelho

A caminhada até o Satu (ida e volta) leva de 8 a 12km, dependendo de até onde você seguir pela praia, que é longa. Nós consideramos tranquilo. Fizemos levando a Beatriz e não foi puxado (lembrando que aproveitamos a maré baixa e não tivemos que andar na areia fofa!).

Lagoa do Satu, Praia do Satu, Caraíva
Bia explorando a Lagoa do Satu, que fica a poucos passos do mar

Agora, se estiver com disposição, não deixe de esticar mais 5km e ir até a famosa Praia do Espelho e sua vizinha Curuipe. O caminho já vale à pena: mais praias desertas, travessia de rios e trechos sobre as falésias. E, chegando lá, você estará em um dos lugares mais bonitos do Brasil. Atenção que, de novo, a praia do Espelho só revela sua verdadeira beleza na maré baixa.

Ir e voltar caminhando (18 a 20km) é até possível. Cheguei a fazer isso no passado, mas te deixa com pouco tempo para de fato curtir as praias. Hoje, com a Bia, não é sequer uma possibilidade. Dá para ir andando para aproveitar o trajeto e voltar de ônibus (confirme os horários antes de ir). Ou ainda reservar um táxi para te levar, esperar algumas horas e trazer de volta por R$250. Nós fomos de carro, acrescentando uma parada no nosso caminho de Caraíva para Trancoso.

Ponta do Corumbau

Na direção oposta, saindo da vila de Caraíva, são 9km até a Ponta do Corumbau. Chegando lá, também tem uma travessia a fazer de canoa (R$10 ida e volta) e uma paisagem de rio, mar e bancos de areia de tirar o fôlego.

A “ponta” propriamente dia é uma faixa de areia que entra até 2km mar a dentro. Único! Caminhar com mar dos dois lados em uma ponte de areia que se forma e submerge duas vezes ao dia. Já mencionei que essas praias são realmente bonitas na maré baixa? No caso da Ponta do Corumbau isso é ainda mais importante.

Depois de explorar esse pedaço, dá para passar um tempo na Praia do Corumbau. É mais uma beleza desse imenso litoral baiano. Existem restaurantes e pousadas por ali também.

A caminhada ida e volta seria bem puxada porque a praia é íngreme e a areia é fofa. Embora esteja a só 9km, não há estrada para ir direto e seria preciso dar uma volta de (acreditem) mais de 120km, somente ida.

Então, resta apenas uma opção: seguir pela praia de buggy. O preço (R$180 a R$200) é bem salgado para um trajeto tão curto. Mas o caminho é bem bonito e o vento na cara tem seu valor. Na volta, dá para pedir para incluir uma parada na Prainha (vejam mais adiante sobre a Prainha).

Motivo 4. O rio Caraíva

O rio é provavelmente o principal personagem de Caraíva. E isso fica claro desde a chegada na vila. Você embarca em uma canoa para atravessá-lo e, como por mágica, desembarca do outro lado já um pouco mais relaxado e transformado.

Motivos para ir para Caraíva: o Rio Caraíva

No trecho em que está o povoado, a margem esquerda do rio concentra o comércio, a vida noturna e uma porção de restaurantes, ateliês e lojinhas. Mais perto do mar, começam os manguezais e o pedaço em que a beira rio vira praia, com a melhor opção para cair na água de Caraíva.

O cenário é lindo e se transforma completamente com a mudança das marés. O pôr do sol é um clássico, mas por algum tempo ainda vou lembrar com saudades de caminhar pela sua margem na calma das primeiras horas da manhã.

Dentro do rio

E o rio Caraíva ainda oferece mais. É possível alugar um stand up, dar um rolê de canoa havaiana e, o mais tradicional, se deixar levar pela correnteza embarcado em uma boia!

O passeio de boia é uma imersão na natureza. Um contato íntimo com o rio e a exuberância dos manguezais e da mata atlântica do entorno. As farras memoráveis do Carnaboia e sua pequena multidão em boias de todos os tipos foram proibidas. Mas ainda é possível contratar uma lancha para te deixar na Prainha e descer o rio aproveitando a maré vazante até a correnteza te levar de volta pra vila.

A Prainha é uma linda faixa de areia branca alguns quilômetros rio a dentro que permite curtir Caraíva de uma outra forma. É possível também ir da Vila até lá a pé ou, como já comentei, em uma parada na volta do passeio de buggy para Ponta do Corumbau.

Motivo 5. As opções para comer

Os restaurantes de Caraíva são um motivo por si só para ir lá. E não é por serem sofisticados ou terem uma cozinha excepcional. A comida é saborosa, porém simples. Comer em Caraíva se torna especial pelo astral inigualável que os lugares têm.

Motivos para ir para Caraíva: os restaurantes na beria do Rio Caraíva

Pratos pataxós, baianos e mais uma mistura trazida por pessoas de diferentes lugares são servidos em mesinhas ao lado do rio. Para todo lado há uma vista incrível. O atendimento é de amigo para amigo e as pessoas conversam com quem está nas mesas ao lado. Momentos que serão lembrados por muito tempo.

Alguns tira-gostos são clássicos que precisam ser experimentados. Nossa preferência era pelo acarajé do Bar do Coco (R$65) durante o dia. O pastel de arraia no Boteco do Pará no pôr do sol (R$10 ou R$12 com queijo). E, de noite, a tapioca da Paty (R$20), que vale por uma refeição.

Para o jantar, o queridinho de todos é o Jacarandá (R$200 a R$250 para dois). De modo geral, os preços nos restaurantes são altos, mas existem também muitas opções de pratos executivos. O restaurante Beira-Rio era nosso preferido com pratos entre R$28 e R$35.

Para quem quer cozinhar em Caraíva, como era o nosso caso, a oferta é limitada. Nos mercados, as opções eram bem restritas e alguns dias tivemos que rodar a vila em busca de uma fruta madura ou alguma variedade de legumes. Mas deu pra gente se virar e preparar as refeições da Bia, embora com muita repetição nos pratos.

Motivo 6. O arrasta-pé

Caraíva está virando um destino cada vez mais badalado e a fama de sua noite só cresce. Ainda é um lugar muito tranquilo a maior parte do ano, mas já dá para dizer que bomba no verão, em especial no réveillon e no carnaval.

E, para muitos, o forró é uma razão fundamental para passar uns dias por ali.

O aquecimento começa nas barraquinhas ao longo do rio, ganha força nas casinhas coloridas do Beco da Lua e já de madrugada é que o arrasta-pé começa. O Forró do Pelé se revesa com o Ouriço para receber dos forrozeiros mais escolados até uns gringos desengonçados aprendendo seus primeiros passos.

Em agosto, a época que fomos, só funciona no final de semana. Porém, devo confessar, com uma filha de um ano em casa, um forró que começa de madrugada em nenhum momento fez parte dos nossos planos.

Para todos os outros que podem desfrutar disso, a noite em Caraíva é animada!

Motivo 7. O clima relaxado

Finalmente, o motivo pelo qual você não vai querer ir embora de Caraíva: o clima relaxado.

Motivos para ir para Caraíva: o clima relaxado

Sem carros ou motos, outros sons se destacam. O canto dos pássaros, o rio correndo, o barulho do mar. Sem pressa ou estresse, as pessoas são mais amigáveis. Não se julgam, nem cuidam da vida alheia. Sem os riscos de uma cidade grande, todos se sentem mais seguros e ficam mais abertos ao outro.

Esse clima vai contagiando e logo você também estará de pés descalços e sorriso no rosto, cumprimentando as pessoas na rua no melhor estilo “gentileza gera gentileza”.